domingo, 4 de abril de 2010

Jogos 3D do Gameboy Advance

Desde que comecei a jogar videogame, sempre fui fissurado por jogos que exploravam ao máximo a capacidade de seus sistemas. Fazendo uma retrospectiva dos games que eu mais curti, boa parte foram conversões de grandes jogos de arcade (fliperama) para videogames caseiros. Um desses exemplos foi o Super Street Fighter 2 lançado para Mega Drive, que me impressionava não somente pela diversão, mas também pelos 40 megabits de memória do cartucho. Pra mim, tanto a quantidade de memória, quanto os efeitos visuais e sonoros sempre foram muito importantes. Assim, não poderia deixar de expressar minha admiração pelo Gameboy Advance, portátil da Nintendo, cujos jogos superaram todos os limites de hardware do console. Esses jogos me motivaram a escrever esse post, pois diante do conceito inicial do Gameboy Advance eles podem ser considerados verdadeiros milagres criativos.

O Gameboy Advance (GBA) foi, sem sombra de dúvida, o videogame mais bem sucedido de sua época. Nascido para substituir o Gameboy Color (primeiro portátil em cores da Nintendo e último videogame da geração 8 bits), o GBA não teve concorrentes em seu seguimento. O pretensioso “Advance” em seu nome era justificado por um processador 32 bits ARM de 16,8 MHz, algo até então sem precedentes entre os portáteis. Com ele o GBA era capaz de rodar jogos com gráficos incríveis numa tela LCD com 2,9 polegadas, resolução máxima de 240x160 pixels e 32.768 cores diferentes.

Confesso que nunca joguei num GBA real, apenas joguei através de emuladores no PC e no Dingoo (post anterior). Foi testando a compatibilidade de jogos de GBA para o Dingoo, que descobri diversos jogos “pesados” para a capacidade do console, inclusive jogos 3D, alguns deles surpreendentes. O GBA foi concebido inicialmente para rodar apenas jogos 2D com qualidade de imagem e som semelhantes aos do Super Nintendo, e cumpriu essa tarefa com muita propriedade. No entanto, a vida útil do GBA foi paralela a de videogames de mesa muito mais modernos, como o Game Cube, o Dreamcast e o Playstation 2 que possuíam títulos atualizados no formato 3D, que ofereciam novas perspectivas para visualizar a ação que se passava na tela, e também uma jogabilidade mais aberta, sem aquele objetivo “ande sempre pra direita, até chegar no final da fase”. Acredito que esse foi o principal motivo para o lançamentos de jogos 3D para o GBA, uma vez que em termos técnicos, os jogos 2D, principalmente os de plataforma, não conquistavam mais a parcela “hardcore” (os que curtiam jogos pesados) dos consumidores. Bem, essa é apenas a minha hipótese.

Se o hardware do GBA não havia sido preparado para processar gráficos 3D, a solução seria desenvolver softwares potentes que o permitisse tal proeza técnica. Assim, foram criadas duas engines (softwares), o DRG 3D e o AGB Rush que mudaram definitivamente a qualidade dos jogos de GBA. O processo basicamente utilizava ferramentas para criação de jogos de PC (como Quake), cujos dados eram testados e convertidos para o hardware do GBA. Essa última parte era a mais trabalhosa, já que os desenvolvedores se preocupavam em polir os jogos de uma forma que não sacrificassem a dinâmica de jogo. Dentre as ferramentas que o AGB Rush possuía se destacam: texture mapping de todas as superfícies, depth shading, efeitos de luz, texturas animadas, animação de sprites fluida e efeitos de clima. Ok, ok, e daí? Daí que o resultado gráfico ficou semelhante aos dos jogos de Playstation 1!

Vale lembrar que toda essa proeza gráfica não comprometia em nada a qualidade sonora dos jogos, que em vários deles é fantástica. Algo comum a alguns dos jogos 3D mais incríveis do GBA é a assinatura de Fernando Velez e Ghillaume Dubail, desenvolvedores citados entre os logotipos no início dos jogos.


Apesar do grande número de jogos que fizeram uso de ferramentas 3D no GBA, nesse post, pretendo destacar apenas aqueles nos quais o resultado técnico foi significativo.



DRIV3R (Driver 3) – Considero a melhor experiência 3D no GBA. O jogo é no estilo Grand Theft Auto San Andreas, no qual você tem que completar missões, mas também pode explorar o mapa de maneira livre, com jogos alternativos que aparecem ao longo do jogo. É possível inclusive até entrar em alguns prédios, nadar, visitar lugares como um navio ancorado numa ilha, etc. O cenário é completamente 3D, com detalhes incríveis de terreno, letreiros nas lojas, etc. O personagem controlável, os carros e as pessoas nas ruas são sprites comuns, mas que interagem perfeitamente com o cenário 3D. A animação é fluida e o mais realista possível, apesar de bugs como o do carro que explode ao entrar no mar, barulho de metal ao bater com o carro num arbusto, etc. Enfim, são detalhes que podem ser desconsiderados e que não conseguem riscar o brilho de um dos melhores jogos de GBA, talvez o meu preferido.


Driver 2 Advance – A experiência desse jogo é horrível, postei apenas para demonstrar o quanto se evoluiu no Driver 3 com criatividade e ferramentas corretas. O 3D do Driver 2 é mais “pixelado”, os objetos, carros e pessoas são minúsculos. Pra se ter uma idéia o personagem controlável é praticamente um bonequinho do Pitfall (Atari 2600). A animação é truncada e por incrível que pareça, não roda no emulador do Dingoo, ao contrário do Driver 3 que roda liso, apesar de ser mais “pesado” graficamente. Resumindo, o Driver 2 é um exemplo de trabalho 3D que deixou a desejar.



Crazy Taxi: Catch a Ride – Uma das primeiras experiências 3D do GBA, e com certeza uma das melhores. Lançado também em outras plataformas, o forte desse jogo é a diversão, obtida pelas loucuras e barbeiragens que o taxista (no caso, você) deve fazer para levar os passageiros aos seus destinos. OS efeitos 3D desse jogo são semelhantes aos do Driv3r, com direito a muitas vozes digitalizadas e músicas agitadas. É um jogo indispensável no catálogo especial do GBA.




Mortal Kombat Deadly Alliance – Provou que a experiência de jogos de luta 3D no GBA pode ser fantástica. Os cenários de fundo são pré-renderizados, o chão das batalhas é completamente 3D, inclusive com efeitos espelhados, a animação dos personagens é realista e bastante suave. Lembra um pouco a experiência do Killer Instinct para Super Nintendo. Há surpreendentes efeitos de zoom e profundidade conforme a distância entre os lutadores. O acabamento das telas de título, seleção de personagens, opções e extras contribuem ainda mais para consolidar esse jogo como um dos melhores do GBA. Similares: Mortal Kombat Tournament Edition, Tekken Advance.



Asterix & Obelix XXL – Descobri esse jogo tardiamente, mas em tempo de cair o queixo. Graficamente o jogo lembra o Mario do Nintendo 64, ou seja, o resultado é digno de aplausos. A variedade de cenários e objetos 3D, e a animação das sprites dos personagens são um grande diferencial. No entanto, peca um pouco na taxa de quadros e na aparente ausência de chefões (me corrijam, pois não joguei muito).




Need For Speed – Incluo aqui todos os jogos da série: Underground, Carbon, Most Wanted e Porsche Unleashed. Praticamente são conversões perfeitas dos jogos de Playstation. Tanto o cenário, como os carros são 3D, inclusive dá pra girar e voltar na pista observando a frente do carro. Destaco sobretudo o Porsche Unleashed que pode ser jogado tanto na visão externa (perspectiva vendo o veículo) quanto na interna (perspectiva do interior do veículo). Além disso, no Porsche Unleashed é possível visualizar o que se passa à esquerda e à direita do veículo (por exemplo, um carro querendo te ultrapassar). Por esses e vários motivos, a série Need For Speed para GBA merece todos os elogios possíveis.



Iridion 3D – Os efeitos de cenário tornam esse shooter estilo arcade bastante singular e por isso um dos mais interessantes do GBA. Os cenários se movimentam em direção à nave, quase como se fossem filmados, no entanto eles mudam de perspectiva conforme a posição da nave controlada pelo jogador. Esse tipo de técnica, a qual desconheço, está presente apenas nos dois jogos desta série. O jogo também faz uso intenso de zoom nas sprites de objetos e naves. Tanto a animação, quanto a taxa de quadros são impressionantes. Vale a pena conferir.



Wolfenstein 3D, DOOM e Duke Nukem Advance – Jogos de tiro em primeira pessoa que utilizaram praticamente a mesma engine gráfica, no entanto com resultados diferentes. O Wolfenstein 3D para GBA praticamente se equipara com o jogo original de PC, devido a sua simplicidade gráfica. Esse detalhe pesa um pouco no DOOM I e o DOOM II, que perderam tanto em acabamento de cenários como no quesito animação. Pior ainda foi o resultado do Duke Nukem, originalmente um jogo pré-Quake, cujo cenário era completamente 3D (visualizado através de várias perspectivas), mas que no GBA praticamente virou um “mod” (jogo hackeado, com cenários e personagens alterados) do DOOM, com muitos bugs. Antes que a inclusão desses jogos nessa lista provoque polêmica, saliento que não se tratam de jogos 3D verdadeiros, pois grande parte do cenário e objetos são sprites apoiados por efeitos de zoom. Incluí esses jogos por serem tratados de forma popular como jogos “3D”. A despeito das críticas, são muito divertidos!


007 Night Fire – Diferentemente dos anteriores, esse jogo de tiro em primeira pessoa utiliza elementos 3D reais. Por exemplo, logo na primeira fase o personagem se encontra numa ponte e pode pular sobre um carro forte em movimento, que é inteiramente 3D. Outros elementos 3D aparecem ao longo do jogo. Os inimigos porém, são sprites pixelados tão descarados que ao serem visualizados pela lateral enxergamos apenas um risco, pois se tratam de imagens 2D sem profundidade. Apesar das limitações se trata de uma experiência 3D interessante no GBA. Similares: Medal of Honor Infiltrator, Ecks vs Sever, Serious Sam Advance, Ice Nine, Dark Arena.



Payback – Antes de ser considerado um clone do Grand Theft Auto, esse jogo foi praticamente o precursor do GTA Chinatown Wars. Ele é 3D visto do alto, porém envolve muitos efeitos, como luzes, explosões, efeitos de clima, como por exemplo, neve caindo, assim como mostra o vídeo abaixo. Há uma fase em que o personagem pilota um helicóptero, enquanto o jogo abusa de efeitos 3D e zoom ao mesmo tempo. O resultado é bem melhor que o GTA Advance, incluindo cenas de violência, atropelamentos, comuns ao gênero. Um jogo mais parecido com esse no GBA é o Karnaaj, uma espécie de “micro-machines” em 3D.



Tony Hawks Downhill – dentre os jogos de skate, esse é o único 100% 3D. Nele, o jogador deve guiar o personagem num skate, descendo ladeira abaixo, acumulando pontos através de acrobacias intuitivas de acordo com o cenário, por exemplo, deslizar sobre um corrimão, pular um carro, etc. Se não me engano o próprio personagem controlável é 3D, composto por polígonos. É um bom jogo, com fases bem variadas. Similar: SSX 3 é praticamente o mesmo jogo, com a diferença do snowboard.



StarX – é o Starfox do GBA. Mesmo com gráficos inferiores aos do Star Fox de Super Nintendo, esse jogo não faz feio e exibe na tela naves, barcos, cenários totalmente 3D. O inconveniente é a taxa de frames que é muito baixa, dá aquela sensação de animação cortada, sem fluidez.




Lego Drome Racers – seus gráficos poligonais remetem ao velho e soberbo Virtua Racing, jogo de corrida seminal da SEGA. Claro, não se trata de carros no estilo “fórmula”, mas a jogabilidade é bem parecida. Outro game semelhante é o Hot Weels Stunt Track Challenge, cujos cenários lembram bem alguns trechos das pistas do Virtua Racing.



Kill Switch – um jogo de tiro bem diferente, no qual o personagem é visto em terceira pessoa, utilizando de táticas militares para invadir e conquistar as fases, lotadas de inimigos. O jogo possui um cenário em 3D, que pode ser utilizado de forma inteligente, para atacar e se esconder dos inimigos. O jogo lembra um pouco o 007 e o Medal of Honor, porém nele visualizamos e controlamos os movimentos táticos do personagem.




Street Racing Syndicate – Talvez o jogo de corrida com os gráficos mais incríveis do GBA. Além de cenários caprichados em 3D o jogo impressiona pelo gráfico dos carros, que aparecem muito grandes e bem desenhados. Lembra vagamente o saudoso arcade Daytona USA. Similares: Top Gear Rally (efeitos de clima) e V-Rally 3 (jogabilidade incrível de dentro do veículo), Monster Truck Madness (três visualizações diferentes, com efeitos de zoom).



Smashing Drive – Um jogo alucinante no qual controlamos um carro fortificado que detona tudo que vê pela frente em percursos super-inusitados, como o interior de uma igreja, a asa de um avião, etc, tudo em 3D. O visual é incrivelmente colorido e detalhado. Como o jogo é muito intenso e rápido, a taxa de frames parece ficar aquém da capacidade, no entanto, isso não atrapalha a diversão. Outro jogo semelhante é o Stuntman, no qual controlamos um carro-dublê que deve completar as cenas com perfeição, como por exemplo passar por baixo de um ônibus que explode, saltar pontes, etc e o Big Mutha Truckers, no qual controlamos caminhões e ganhamos dinheiro por missões completadas.



Super Monkey Ball Jr – um jogo simples e aparentemente infantil, mas que exige noção de equilíbrio e autocontrole do jogador. O jogador controla um macaquinho dentro de uma bola transparente, que gira ao longo de cenários 3D flutuantes. O gráfico do jogo também lembra alguns jogos de Playtation 1 e Nintendo 64. O legal é que é um jogo bem casual, ou seja, recomendado!




Wing Commander Prophecy – no estilo Star Wars Arcade, esse jogo impressiona pelas animações em 3D e pelos efeitos de zoom, por exemplo quando se passa sobrevoando uma nave inimiga.





Protótipos

Alguns dos jogos mais incríveis do GBA ficaram apenas nos protótipos. Dentre eles, um dos mais promissores com certeza seria o Resident Evil 2 que, originalmente lançado para Playstation, ficou perfeito para o hardware do GBA. Se esse jogo tivesse sido lançado o GBA poderia encerrar sua carreira de maneira triunfal, porém, para infelicidade do mundo ficou só na promessa mesmo.


http://www.youtube.com/watch?v=DBHNtTNPzV0&feature=player_embedded


Engines interessantes foram propostas para o GBA, algumas delas podem ser visualizadas através desses vídeos do Youtube:

Quake


Radium Beta


Yeti 3D


Boas idéias nem sempre vêem de empresas fortes e consolidadas. Por exemplo, a Raylight Studios, responsável por vários títulos 3D do GBA é uma pequena empresa italiana. O GBA foi um videogame sensacional, pois provou que a força de seus jogos dependia mais da criatividade dos desenvolvedores de jogos do que de seu hardware limitado.

 

Compatibilidade com o Dingoo A-320


O Dingoo A-320 é um player multimídia chinês que tem como ponto forte a emulação de jogos antigos. Ele foi apresentado aqui nesse blog no tópico anterior, que teve uma surpreendente quantidade de acessos devido principalmente à propaganda veiculada no blog especializado DingooBR (http://www.dingoobr.com/). A emulação de GBA no Dingoo é uma das melhores de seu sistema nativo, porém, a compatibilidade não é 100%. Me refiro principalmente aos jogos 3D, que exigem muito da capacidade do emulador do Dingoo. Tenho certeza de que se trata apenas de uma limitação de software, que poderia ser superada com o lançamento de novos emuladores de GBA para o Dingoo. Enfim, sem mais palavras, classifico abaixo a compatibilidade dos jogos comentados aqui nesse post para os jogadores de Dingoo:

Rodam liso ou quase perfeitos: Driv3r (Driver 3), Crazy Taxi, Mortal Kombat Deadly Alliance, Tekken Advance, Need for Speed Underground 2, Need for Speed Porsche Unleashed, Iridion 3D, Wolfenstein 3D, 007 Nightfire, Medal of Honor Infiltrator, Dark Arena, Karnaaj, Tony Hawks Downhill, SSX 3, V-Rally 3, Stuntman, Super Monkey Ball Jr.


Rodam com lags e bugs: Driver 2, Asterix & Obelix XXL, DOOM, DOOM II, Duke Nuken Advance, Serious Sam Advance, Ice Nine, Lego Drome Racers, Hot Weels Stunt Track Challenge, Kill Switch, Top Gear Rally, Monster Truck Madness, Smashing Drive, Big Mutha Truckers, Wing Commander Prophecy.

Não rodam ou travam: Mortal Kombat Tournament Edition, Need for Speed Underground, Need for Speed Carbon, Need for Speed Most Wanted, Ecks vs Sever, Payback, StarX, Street Racing Syndicate.

segunda-feira, 15 de março de 2010

REVIEW: Dingoo A-320



Dingoo, o pequeno notável.

Eu tenho trauma de lojas de roupa, pois quando criança meus pais sempre gastavam horas provando roupas comigo e quase nunca sobrava tempo para eu “olhar os brinquedos”. Só depois de casado foi que percebi o quanto as mulheres amam esses lugares (e quanto os maridos odeiam). Assim, um marido adorável seria aquele que conseguisse driblar esses momentos adversos, certo?

Eu precisava urgentemente encontrar uma alternativa viável. A solução foi comprar – após muitas pesquisas na internet – um mp5 que além de executar músicas e vídeos, também emulasse roms (arquivos contendo jogos antigos, baixados de graça pela internet) de Nintendo e Gameboy. Foi amor à primeira vista e nunca mais eu me estressei em lojas de roupa, filas de banco, consultórios médicos e outros lugares chatos. Eu tratava meu mp5 Foston FS-1210 como um verdadeiro PSP de pobre, possuindo na época uma comunidade do Orkut onde eu postava novidades e respondia dúvidas de outros usuários.

Foston FS-1210, o "PSP" de pobre


A despeito disso, eu sabia que o meu mp5 era muito limitado, não rodava todos os jogos, os botões eram duros e impróprios, além da bateria de baixa autonomia (no máximo uma hora). Foi aí que descobri diversos portáteis chineses alternativos e um deles, o Gemei X-760 chamou minha atenção, pois além de Nintendo, emulava videogames mais avançados como Mega Drive, Super Nintendo, Gameboy Advance e Neo Geo.
Gemei x-760, seria ele o salvador dos lugares chatos?

O frenesi durou pouco, pois enquanto buscava informações sobre esse portátil surgiu algo sem precedentes e que só existia na minha cabeça, o Dingoo A-320.

Dingoo A-320, meus problemas acabaram

O Gemei ainda era um mp5, já o Dingoo inaugurou em novembro de 2008 uma nova linha de portáteis, não era mais um mp5 comum e nem ousava competir diretamente com portáteis modernos e caros como o PSP e o Nintendo DS, mas atendia as expectativas dos retrogamers (jogadores antigos) e programadores, oferecendo como adicional diversas funções multimídia.

Um professor amigo meu, aficionado por tecnologia, sugeriu comprar o Dingoo no site da Deal Extreme através do cartão de crédito dele, e eu acertaria o valor quando o Dingoo chegasse no Brasil. Dias depois eu estava com o meu Dingoo na palma da mão.

E foi amor à primeira vista...


Vamos conhecê-lo?
Visual

Cor branca com design simples, limpo e agradável. Possui uma parte superior de acrílico meio transparente e uma parte inferior de plástico fosco, que oferece uma pegada firme. A parte inferior também possui borrachinhas (cobrindo os orifícios dos parafusos) que evitam que o aparelho escorregue em superfícies lisas. Os botões são pequenos, compatíveis com o tamanho do aparelho. Quem tem dedos grandes pode estranhar de início, mas logo se adapta. Possui um direcional, 6 botões de ação e botões start e select. O botão power é deslizante e possui uma trava caso queria travar os demais botões (útil no modo “mp3” com o aparelho no bolso da calça). Possui um botão reset protegido que pode ser acessado com um clips ou palito toda vez que o software do aparelho der algum problema (raro). Possui ainda uma porta mini-USB, uma saída AV-out e um microfone embutido. O acabamento externo é primoroso, surpreendente por se tratar de um produto chinês.
Imagem

Tela de 2,8 polegadas. Com boa iluminação, cores vivas e vibrantes. Não cansa a vista. O modelo de tela é semelhante à de celulares de qualidade, sendo fácil de achar e substituir caso seja danificada acidentalmente. Também é possível utilizar um cabo AV-out incluso para assistir vídeos ou jogar diretamente na TV. Apesar da resolução ser 320x240 pixels, a qualidade dos vídeos transmitidos do Dingoo para a TV é similar a de vídeos assistidos no computador. Da mesma forma, os jogos apresentam a mesma qualidade vista nos videogames originais.

Som


Ele possui duas caixas de som stereo embutidas que reproduzem um som satisfatório, nada excepcional. Os fones de ouvido são da mesma cor do aparelho, com qualidade razoável e bastante duráveis. A entrada para os fones está localizada na lateral esquerda. Apesar da entrada lateral de fones ser útil quando o aparelho está no bolso em modo mp3, ela atrapalha a empunhadura em jogos. Felizmente, é possível utilizar a saída AV-out como entrada para fones alternativa, resolvendo esse problema.


Embalagem e Itens Inclusos

A embalagem é pequena, simples e pouco informativa, características comuns em embalagens de produtos chineses. O Dingoo vem acompanhado de: garantia, manuais em inglês e chinês, cabo USB, cabo AV-out e carregador bi-volt retrátil na cor do aparelho (se liga ao cabo USB para carregar o Dingoo).


Portabilidade, Autonomia e Durabilidade

O Dingoo é portátil o suficiente para caber discretamente no bolso da calça. Pra quem mora em cidade grande, como eu, esse é um detalhe importantíssimo, pois a bandidagem está sempre à espreita, cobiçando o que é do alheio. A bateria dura muito tempo, cerca de 10 horas com música ou 6 horas de jogo (com fones), mais ou menos. No modo mp3 ele poupa a bateria desligando a tela. A recarga demora cerca de 3 horas, sendo possível recarregá-lo pelo carregador retrátil ou pela USB num computador ou notebook. Tenho meu Dingoo há 10 meses e nunca apresentou problemas. Relatei apenas o desgaste da tinta que nomeia alguns botões e o sumiço de borrachinhas da parte traseira.

Multimídia


Apesar de eu utilizar muito pouco as outras funções multimídia do Dingoo (com exceção do modo mp3) vou tecer alguns comentários.

Músicas
O player mp3 do Dingoo suporta formatos de música em mp3, wav, ape, flac e permite vários modos de exibição: todas as músicas, aleatório, uma pasta específica, um álbum específico, um artista específico, um título específico, favoritos, etc. Também tem um sistema de buscas. Possui diversas equalizações disponíveis e funções de adiantar/retroceder, próxima música, volume, pausa e repetição. A qualidade é boa e depende bastante da equalização escolhida ou dos fones utilizados.

Rádio AM/FM
A qualidade do sinal varia conforme o ambiente, óbvio. Ele possui uma busca automática ou manual por estações disponíveis. Também permite opções de exibição e a função de gravação da estação em execução.


Gravador
Possui um microfone embutido que permite a gravação de palestras, músicas, em qualidade mp3. A qualidade de gravação pode ser alterada, o que vai influir na quantidade de horas de gravação. Achei a qualidade da gravação semelhante à de mp3 ou mp4 comuns, ou seja, ruim, longe de se comparar com um gravador cassete da Panasonic, no qual eu e minha irmã gravávamos nossas músicas.

Visualizador de Fotos
Apresenta miniaturas das fotos em formato jpeg, gif, bmp ou png. Conforme a qualidade das fotos pode demorar um pouco para carregar essas miniaturas. A visualização é boa, permite zoom e utilização da foto como plano de fundo dos menus interativos, inclusive do menu principal. Permite também fazer slide show. Uma super-dica que li num fórum do Orkut foi a utilização dessa função como data-show. Isso mesmo! Ao transformar seus slides em figuras, eles podem ser exibidos numa TV através do TV-out. Um data-show pode ser algo restrito em vários lugares, mas uma TV nunca será, certo?

E-book
Infelizmente, até o momento o Dingoo só permite a leitura de arquivos txt, nada de doc ou pdf. Nas funções de sistema do Dingoo é possível alterar a cor da fonte dos menus e escolher uma ideal para o plano de fundo desejável (preto, branco, azul, imagem, etc...) e música de fundo.

Vídeos
O Dingoo é capaz de rodar vídeos em formatos avi, wmv, flv, mpeg4,  rm e rmvb. Esse último formato é dominante em sites de downloads de filmes, seriados e desenhos animados por seus arquivos serem de tamanho reduzido e qualidade razoável. Possui opções de exibição e formatos de tela. Não suporta legendas. Para assistir a um filme legendado é preciso que a legenda esteja embutida na imagem do filme. Testei vários vídeos no Dingoo e percebi que arquivos pequenos a médios com até 700mb, em geral, rodam bem. Testei um filme com 800mb e rodou sem problemas. Curiosamente, um filme em rmvb de 480mb rodou com lags (atrasos). Testei um show do Led Zeppelin com 1.2Gb e rodou com lags. Considero uma função importante caso o objetivo seja assistir episódios de seriados, desenhos ou vídeos baixados no youtube. Quanto aos filmes, é bem melhor assistir em telas grandes, de preferência no cinema, ok?

Jogos Nativos
A empresa Dingoo Digital possui um pequeno time de programadores responsáveis pelo desenvolvimentos de jogos próprios para celulares e para o Dingoo. O grande destaque vai para os jogos 3D com qualidade semelhante à de jogos de Playstation 1. Dentre esses jogos destacam-se Heaven and Earth (aventura medieval com luta de espada), Hell Striker (aventura semelhante a anterior, porém com opções de magias, etc), Ultimate Drift (jogo de corrida focado na modalidade derrapada) e o jogo mais impressionante de todos, 7 Days Salvation. O 7 Days (como é chamado) é uma espécie de Resident Evil do Dingoo, um jogo na modalidade survivor-horror, no qual o personagem tem que sobreviver as ameaças de zumbis, fantasmas e outros monstros numa mansão cheia de mistérios e quebra-cabeças intrincados. Vou dedicar um review sobre esse jogo, já que finalizei a versão em inglês (a versão chinesa é mais completa) e inclusive postei um vídeo no youtube com o final do jogo.

Fotos do jogo 7 Days Salvation, incluso e desenvolvido
especialmente para o Dingoo: gráficos e enredo de tirar o fôlego


Emulação

O carro-chefe do Dingoo. O aparelho já vem de fábrica com diversos emuladores, cada um com sua tela de opções que inclui reset, save/load state (você pode salvar o seu progresso no jogo para continuar noutra hora), configuração de botões, volume. Abaixo descrevo o desempenho de cada um:

CPS2 – jogos de arcade mais avançados em termos de gráfico e som, feitos para a placa CPS2 da empresa Capcom. Inclui Alien VS Predator, Darkstalkers, X-Men vs Street Fighter, Marvel vs Capcom, etc. Alguns reviews na internet consideram o emulador razoável, com slowdown (lentidão na animação) e muita incompatibilidade de roms. Mesmo assim, considerei bom.

CPS1 – trata-se de jogos de arcade feitos para a placa CPS1 da Capcom. Emula jogos como 1941, Final Fight, Captain Commando, Megaman the Power Battle, Strider, Street Fighter 2 – The World Warrior e as variantes Champion Edition e Hyper Fighting (Turbo). A qualidade é muito boa, semelhante à de emuladores de PC como o MAME.


NeoGeo – era o videogame mais poderoso (e mais caro) de seu tempo, praticamente um fliperama em casa. O emulador desse videogame permite jogar Fatal Fury, The King of Fighters, SNK vs Street Fighter e outros gêneros. Pra mim esse emulador ficou bastante dinâmico.



Supernintendo (SNES) – o famoso 16 bits da Nintendo com jogos como Supermario, Donkey Kong, Killer Instinct, etc. O emulador é ruim, com muito slowdown, falhas na sincronia de imagem e som e incompatibilidade de roms, principalmente jogos que originalmente utilizavam chips especiais como, por exemplo, Starfox, Mario Kart e Street Fighter Alpha. Apesar das limitações desse emulador, o considerei “jogável”. Em jogos que exigem menos do emulador, como Prince of Persia ele funciona muito bem. A versão de Mortal Kombat 2 nesse emulador é a mais satisfatória do Dingoo.

Mega Drive – o 16 bits da SEGA, meu videogame de estimação, que possuía Sonic, Streets of Rage, Super Mônaco GP, etc. É o pior emulador do sistema nativo do Dingoo, possui slowdowns, lags, chuviscos, defeitos na imagem e no som. Um exemplo decepcionante é a série Sonic, cuja emulação demonstrei num vídeo no youtube. Em minha opinião o pior problema foi a falta de suporte aos 6 botões originais. Mesmo com a diversão um pouco comprometida pela qualidade do emulador, é possível jogar diversos títulos desse videogame.

Gameboy Advance (GBA) – um dos videogames portáteis mais famosos da Nintendo, com 32 bits de potência e uma infinidade de títulos, a maioria ainda bastante atual. É a melhor emulação realizada pelo Dingoo e a que mais utilizo. Roda vários jogos do Mario e inclusive jogos 3D como Mortal Kombat Deadly Alliance, Need For Speed Underground 2, Crazy Taxi, Iridion 3D e Driver 3. Esse último é sensacional, o mais próximo possível do estilo GTA. Infelizmente nem tudo é perfeito e alguns jogos 3D não rodam ou apresentam lags, como no caso do TG Rally e de DOOM ou Duke Nuken Advance, jogos que levavam o GBA aos limites.

Nintendo (NES) – o clássico 8 bits da Nintendo com seus sucessos: Super Mario Bros, Batman Return of the Joker, Turtles The Arcade Game, Megaman, Gremlins 2, Zelda, etc. Esse emulador também é perfeito. Li relatos de incompatibilidade com um ou dois jogos, mas nada relevante. Battletoads e Batman Return of the Joker são exemplos de jogos que não rodavam no meu antigo mp5 e que rodam liso no Dingoo.



Firmwares e Homebrews

Os firmwares são atualizações do sistema operacional do Dingoo que podem ser baixadas da internet e instaladas, melhorando o visual e corrigindo bugs (defeitos) no sistema anterior. A Dingoo Digital é uma empresa que não disponibiliza suporte algum ao Dingoo, nesse caso, diversos programadores amadores se empenham em criar seus próprios firmwares e disponibilizá-los “pra galera”, como o caso do firmware pt/br, que altera o idioma para português do Brasil e adiciona diversos elementos visuais ao menu principal. Outros programadores se empenham em desenvolver aplicativos e jogos conhecidos como homebrews, algo como “feito em casa”. Um homebrew interessante é o overclock, programa que permite acelerar o clock do processador do Dingoo de 300 para 420 Mhz, melhorando o desempenho de emuladores em diversos jogos. Não está claro ainda que esse aplicativo possa trazer algum dano físico ou desgaste ao processador, mas quase não uso pois a melhoria no desempenho é muito pequena, coisa de 5 a 10% no máximo. Outro homebrew mais banal é o cronômetro, usual em algumas ocasiões. Os homebrews realmente importantes são os emuladores de sistemas alternativos, os quais descrevo abaixo.

Master System – o 8 bits da SEGA, famoso no Brasil graças à empresa Tectoy e a jogos como Alex Kid, Renegade, Dynamite Duke, Mickey’s Land of Ilusion, etc. Foram lançadas umas 3 versões de emuladores, sendo que a última está quase perfeita, a não ser pelo som um pouco estridente, mas que não afeta a jogabilidade.





Game Gear – o portátil da SEGA, exuberante pelos jogos coloridos, mas pecava pela baixa portabilidade. Funciona pelo mesmo emulador de Master System. Curiosamente (exceto pelo som 80% fiel) os jogos de Game Gear rodam melhor no Dingoo do que no Game Gear original, devido a melhor qualidade da tela e dos controles do Dingoo.



O Master System e o Game Gear também podem ser emulados de forma alternativa. No tempo do GBA existia um programa que transformava uma lista de jogos desses sistemas numa rom composta de GBA. A performance dessa “emulação da emulação” é tão boa quanto a emulação atual.



Gameboy Classic/Gameboy Color – sucessos absolutos da Nintendo, possuem uma ampla gama de jogos, como Tetris, Supermario Land, Castlevania, Contra, etc. A primeira versão do emulador foi uma das primeiras homebrews lançadas, mas continha muitos bugs, cores estranhas, etc. A versão atual é excepcional e definitiva.






PCEngine – um videogame famoso no Japão, mas que pouca gente viu, possuía jogos como After Burner 2, Splatterhouse, Shinobi. A versão atual do emulador é boa, mas ainda faltam corrigir alguns bugs e slowdowns. A versão de Street Fighter 2, que rodava em CD travou e não rodou nesse emulador.





Lynx – o portátil da Atari era como o Game Gear, potente, exuberante, mas “ordinário”, consumia pilhas tal como um Opala bebe gasolina e era um trambolho. Tinha jogos interessantes e mais modernos que seus concorrentes, como por exemplo, Blue Lightning, Alien vs Predator, Race Drivin, STUN Runner, etc. O emulador é excelente.




Atari 7800 – versão mais moderna do Atari 2600 e 5200. Possuía jogos mais elaborados, tipo Dark Chambers, Karateka, porém teve pouco sucesso. A emulação é razoável.







Colecovision – concorrente do Atari 2600, contava com versões mais modernas de Pitfall, Dragon Fire, Keystone Kappers, etc. É uma boa alternativa mais próxima do Atari 2600, que infelizmente ainda não tem emulador disponível no sistema nativo.








Odyssey 2 – pense num videogame antigo em que um quadrado era suficiente para representar uma pessoa, assim eram os gráficos do Odyssey 2. A emulação parece “perfeita”, mas minha utilização desse emulador é quase nula, possuo apenas por fetiche.






Sierra – apesar de não ser um videogame, e sim uma empresa, diversos de seus adventures antigos de PC podem ser jogados através de tranformação de roms para o formato GBA. Assim é possível jogar King Quest, Space Quest, Police Quest e até Leisure Suit Larry (jogo no estilo “solteirão procura diversão”), sendo que esse último não consta dentro da rom pronta que encontrei para download e o site do programa de que transforma esses jogos para o formato GBA está desatualizado. A emulação é satisfatória.


A Revolução do Dingux


O Dingoo, com todas as suas qualidades já podia ser considerado um portátil excelente, mas ainda na segunda metade de 2009 seus usuários ficaram boquiabertos quando Booboo, um programador amador da Espanha, lançou o Dingux, o Linux do Dingoo. A partir daquele momento o céu não era mais o limite e as possibilidades para o Dingoo tornaram-se infinitas. No início as experiências eram realizadas com o Dingoo acoplado a um computador normal. Logo depois o Dingux ficou maduro o suficiente para ser instalado num cartão de memória externo, através da porta miniSD do Dingoo. Agora com o dualboot, podíamos escolher entre o sistema original (nativo) ou o sistema Dingux. Programadores amadores do mundo inteiro, inclusive brasileiros, se dedicaram intensivamente ao Dingux e lançaram jogos caseiros, ports (versões) de jogos de PC, emuladores variados bem melhores que os do sistema nativo, além de vários aplicativos diferentes. Pra se ter uma idéia, no auge da Dingoomania era comum 2 a 3 lançamentos diários no blog “dingoo scene”, uma das principais e mais ativas fontes de informações sobre o Dingoo. Só pra não deixar passar em branco, vou citar alguns dos lançamentos mais importantes:

Ports de PC: DOOM I e II, Duke Nuken 3D, Quake, Wolfenstein, Shadow Warrior, uma versão de Half Life, Flashback, Out of This World, Prince of Persia (versão inacabada).
Prince of Persia no Dingoo, sonho inacabado

Emuladores: vários emuladores diferentes, inclusive pra videogames que eu nunca ouvira falar antes. Vou citar aqueles que considerei mais importantes (são mais de 20).

Picodrive – emulador de Mega Drive e Sega CD quase perfeito, cujo criador promete novidades, como suporte ao 32X.

SNES9X – emulador de SNES que roda quase tudo em fullspeed, a última versão em desenvolvimento já roda jogos especiais.

Stella – emulador de Atari 2600 o “glorioso”, emulação 80% perfeita.

MAME – emulador de arcades, emula quase tudo, inclusive clássicos como Turtles e Simpsons, sucessos dos anos 90 que fiz questão de postar no youtube.

Final Burn Alpha – emulador de arcades, com destaques para jogos de luta.

SCUMMvm – emulador de adventures da Lucas Arts, desde o clássico Maniac Mansion até Indiana Jones e Full Throttle.

PSX4All – Quando todos duvidavam da capacidade do Dingoo e vários vídeos fakes surgiam no youtube, fomos surpreendidos com o lançamento de um emulador de Playstation 1 para o Dingoo, que obviamente rodava com frameskip (perda de quadros de animação) e sem som, mas suficientemente bom para demonstrar o poder de fogo do Dingoo.



Razões para o Sucesso

O Dingoo é um BBB – bom, bonito e barato. É um produto competente e que cumpre além do que promete. Possui design clean, ótima ergonomia e acabamento de primeira. E o principal, um preço ridículo de apenas 83 dólares (146 reais pelo dólar atual) por um portátil multimídia que permite escutar músicas, assistir vídeos e jogar uma quantidade infinita de jogos de dezenas de tipos de videogames. Outros portáteis similares ao Dingoo, porém mais potentes, como o Wiz da GPH chegam a custar mais que o dobro do preço de um Dingoo. Esse preço baixo também é um fator importante para aqueles que compram o Dingoo no Brasil, vendido apenas por importadores independentes, muitas vezes com preço justo.


Dingoo Mania: Fatos

Para finalizar esse post imenso eu gostaria de enumerar alguns fatos sobre o Dingoo, que nem naqueles finais de filmes em que o locutor narra o que aconteceu depois com as personagens, antes dos créditos... hehehehe.

1 – A Dingoo Mania se espalhou pelo mundo através da propaganda boca-a-boca, já que nenhuma propaganda oficial foi veiculada.
2 – Superou minha expectativa de passatempo e se tornou um hobby.
3 – Foi lançada uma versão preta do Dingoo, ampliando o leque de opções do portátil.
4 – O Dingux virou Lei, item obrigatório após aquisição do Dingoo.
5 – O PSX4All assustou quem subestimava o poder de processamento do Dingoo.
6 – Quando entrei na comunidade do Dingoo no Orkut, em março de 2008, existiam 30 membros e quase ninguém possuía Dingoo, hoje somos mais de 1.000 membros, sendo que grande parte possui seu próprio Dingoo.
7 – A fábrica chinesa da Dingoo Digital não consegue atender a demanda do portátil, assim os modelos estão em falta há meses em diversos sites de venda online.
8 – A “cena Dingoo” ainda sobrevive, porém com lançamentos menos freqüentes.


Quer acompanhar as novidades sobre o Dingoo de um jeito bem brasileiro? Então siga o blog de meu amigo Ezequiel e colaboradores: http://www.dingoobr.com/

Quer saber tudo que foi lançado para o Dingoo? Acompanhe o principal blog mundial sobre a cena Dingoo desde os primórdios aos tempos atuais: http://dingoo-scene.blogspot.com/



Entenda mais sobre o Dingoo através desse post sensacional do Orakio, o Gagá Games, (principal site nacional sobre jogos antigos), lá vc encontra respostas às dúvidas mais freqüentes, o review, detalhes sobre os emuladores e um tutorial sobre como instalar o Dingux: http://www.gagagames.com.br/?p=8264



Gostou, quer comprar? Bem, eu te indicaria esses dois sites: http://www.dealextreme.com/details.dx/sku.20217 (Dingoo branco), http://www.dealextreme.com/details.dx/sku.23032 (Dingoo preto), porém ambos estão em falta, assim indico para quem tem cartão internacional comprar aqui: http://www.focalprice.com/GT021W/Dingguo_A320_Digital_Multimedia_Player_White.html ou se acaso queira comprar no Brasil, considere comprar no Mercado Livre através de pessoas idôneas, algumas são membros de longa data na comunidade Dingoo Brasil no Orkut e já venderam várias unidades a outros membros.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Bombas Atômicas: Documentários



Quando eu era pequeno, um amigo de meu pai me deu uma revista sobre o Nostradamus, na qual ele previa que o fim dos tempos viria com a Guerra Nuclear. Lembro que eu fiquei impressionado com a foto estampada na capa da revista (teste nuclear francês de codinome Licorne, esse da foto acima). O que era aquilo?

Na adolescência li uma matéria da Super Interessante sobre os 50 anos do bombardeio de Hiroshima e Nagasaki e aprendi o quanto essas armas são perigosas. Nas horas vagas de 2008 comecei a me interessar mais sobre as bombas atômicas, bombas termonucleares e a Guerra Fria que foi a força-motriz de uma paranóia coletiva. Hoje em dia, a maioria das pessoas desconhece ou não dá o devido valor ao tema, no entanto, esse período nebuloso da história humana foi algo mais próximo possível do apocalipse.

Os livros didáticos de história são muito ruins - fato. Somado a isso, a maioria dos professores não conseguem fazer a conexão entre o tema da aula e o cotidiano dos alunos, por isso uma grande maioria acha a disciplina história uma chatice, sem conexão com sua vida. Infelizmente, só por conta própria é que podemos vislumbrar um mundo no qual ocorreram coisas maravilhosas, fantásticas ou assustadoras.

O mundo da energia nuclear está intimamente ligado com as bombas nucleares e a Guerra Fria. O assunto é vastíssimo e intrigante, por isso está bem disponível na internet em vários sites especializados. Pra quem interessa a melhor coisa, sem dúvida, são os documentários que oferecem informações precisas de maneira compacta e visual. Há também filmes que retratam a construção da bomba atômica, o ataque à Hiroshima, a Guerra Fria, etc. Acumulei e assisti vários deles. Vou listar e comentar resumidamente os mais importantes (postarei reviews mais completos em breve):

The Atomic Café

Melhor documentário feito sobre as armas nucleares e a Guerra Fria. Mostra toda a paranóia do pós-guerra, época em que as hostilidades entre EUA e USSR (União Soviética) eram constantes. O documentário reúne reportagens de jornais, propagandas políticas, espionagem, depoimentos surpreendentes e informações técnicas, tudo editado de uma maneira sensacional, que impressiona o leigo. Há uma cena em que um pai veste seu filho para ir pra escola, com uma roupa de chumbo e máscara... o menino mal consegue subir na bicicleta. E há também cenas clássicas como a propaganda do Duck and Cover, ensinando as crianças que ao ver o flash da bomba elas deveriam se jogar no chão e se cobrir... uma atitude quase em vão. Tem também um teste nuclear em que soldados são usados como cobaias num exercício que simulava um contra-ataque nuclear a uma invasão do inimigo... os soldados se refugiavam em trincheiras, a bomba explodia e os soldados caminhavam até o ponto zero da explosão, se contaminando seriamente com a radiação. O documentário mostra também a paranóia da construção de abrigos anti-nucleares. Enfim, The Atomic Café é riquíssimo, um documentário essencial.

Trecho da campanha "Duck and Cover": http://www.youtube.com/watch?v=_mlREiQX1WU

Filme completo online: http://www.youtube.com/watch?v=NOUtZOqgSG8

Trinity & Beyond

Reúne a maior coleção de vídeos sobre testes nucleares. É um documentário mais técnico do que o The Atomic Café. A trilha sonora é meio fantasmagórica e se encaixa bastante no contexto das explosões nucleares. O documentário inclui o desenvolvimento de Trinity (primeiro teste nuclear), os bombardeios atômicos no Japão (Hiroshima e Nagasaki), os testes de novos tipos de bombas nucleares, testes nucleares no Pacífico (Atol de Bikini) e no deserto de Nevada, a bomba atômica soviética, a bomba de hidrogênio (chamada termonuclear ou de fusão nuclear) mais de mil vezes mais potente que as bombas atômicas de urânio e plutônio. Foi o primeiro documentário que assisti e senti uma sensação estranha: ao mesmo tempo admirado com aquelas explosões grandiosas e “bonitas”, mas ao mesmo tempo impressionado pela insanidade de seu propósito. Altamente recomendado!


Hiroshima

O nome já diz tudo. Mostra como foi planejado e realizado o bombardeio atômico de Hiroshima. Os americanos precisavam justificar o esforço científico e bilionário da bomba atômica, criada originalmente para bombardear os nazistas. Com a derrota da Alemanha meses antes e um Japão prestes a se render, os americanos decidem lançar desesperadamente as bombas sobre Hiroshima e Nagazaki. As duas eram cidades civis pouco afetadas pela guerra, alvos perfeitos para avaliar o poder de destruição e os efeitos das bombas sobre os seres humanos, uma experiência cruel. Além disso, o feito tinha um objetivo moral (ou imoral) que era de impor para o mundo quem é que mandava na Terra dali pra frente. Os relatos dos sobreviventes são surpreendentes e emocionantes. Obrigatório!



Nuclear Rescue 911
Um documentário bem diferente. As nações nucleares, principalmente os EUA e a Rússia, possuem um arsenal nuclear imenso e seu controle é uma questão de segurança nacional, certo? E se algo sair errado? Acidentes acontecem, mas quando o assunto é nuclear, as conseqüências podem ser devastadoras. Na década de 60, houve períodos em que uma Guerra Nuclear era iminente, assim os EUA e a USSR mantiam seus bombardeiros carregados de bombas nucleares voando à espera de ordens para atacar o inimigo (e por fim à raça humana). Assim, em algumas ocasiões alguns aviões sofreram panes, caíram e sua carga perigosa (bombas nucleares) sumiu ou contaminou o meio ambiente. Há relatos de explosões de foguetes, bombas nucleares que não explodiram, etc. Uma palavra para esse documentário: tenso. Só vale a pena pra quem já assistiu outros e se interessa realmente pelo assunto.

 
Atomic Journeys

Este documentário trata de turismo nuclear, diversos testes e explosões nucleares de menor relevância, dá ênfase em testes e explosões nucleares "pacíficas", dentro de cavernas, na água, para fins de engenharia, etc... que foram utilizadas pelos EUA até o final da década de 70. É uma pena que eu não tenha achado nenhuma legenda, nem ao menos em inglês pra esse filme. É um documentário secundário, menos importante do que os outros comentados anteriormente, mas vale a pena por mostrar outros usos para as bombas atômicas, usos estes cuja eficácia e utilidade são questionáveis. Após a proibição de testes nucleares na atmosfera, mar e espaço, a única alternativa que restou foi o subterrâneo. Numa das cenas do filme aparece um deserto cercado de crateras feitas pelo homem. Logo no início aparece uma peregrinação de turistas ao ponto zero, o local onde foi detonada Trinity, a primeira bomba atômica (quero ir lá).

Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=QBliwf2bOUs

The Atomic Filmmakers
Pare e pense: como conseguiram filmar as explosões nucleares? O que aconteceu com os filmadores? Como as câmeras resistiram? Tudo isso e muito mais está presente nesse documentário, rico em detalhes técnicos com depoimentos e imagens de perder o fôlego. A parafernálhia técnica que era instalada nos locais dos testes era impressionante e o que se tinha de mais moderno na época. No final do documentário são reunidos todos os filmadores que participaram dos testes nucleares das décadas de 50 e 60. Esses homens elevaram seu trabalho a um nível de uma verdadeira arte. Quantas pessoas tiveram a oportunidade de assistir a uma explosão nuclear ao vivo? Filmar de perto esses acontecimentos então era uma aventura muito ousada.





Hitlers Plan To Atom Bomb New York

Um documentário singular do History Channel que conta os planos de Hitlers para bombardear os EUA. O ano era 1944, os nazistas haviam percebido da vulnerabilidade dos EUA a um bombardeio em seu território, principalmente New York. Os cientistas de Hitler tentaram a todo custo desenvolver o projeto que resultou em diversas tecnologias que mais tarde foram capturadas e serviram de base para o desenvolvimento de aviões militares e foguetes americanos. Dentre as idéias mais desesperadas ousadas um submarino japonês teria uma cúpula em sua parte superior que abrigava um pequeno avião que ao chegar na Costa Leste americana decolaria usando a longa parte superior do submarino e bombardearia New York com uma bomba suja de urânio. Os nazistas não possuiam urânio enrriquecido para uma bomba atômica legítima, então a solução seria usar explosivos convencionais misturados ao urânio que contaminaria as pessoas e o ambiente. Surpreendente!



The House in The Middle

Esse documentário é curtíssimo e se trata de uma das diversas propagandas vinculadas pela Defesa Civil americana durante a Guerra Fria. Ele demostra através de um teste nuclear que as casas de cor branca, que não possuem galhos secos e nem lixo ao redor podem sobreviver a alguns dos efeitos nucleares, dentre eles o "flash" inicial, que é tão forte que pode simplesmente queimar diversos tipos de materiais, inclusive pessoas que estejam há quilômetros de distância. Ele demonstra que a casa do meio (as outras duas foram reduzidas às cinzas) permaneceu de pé, porém não comenta os efeitos que os moradores sofreriam, ou seja, de que adianta a casa ficar de pé se seus moradores estão todos mortos, não é mesmo? É bem interessante.




Nuclear Jihad: Can Terrorists Get The Bomb?

Polêmica moderna. Os muçulmanos possuem a bomba atômica? Quais as implicações acerca desse mito? É muito difícil ser imparcial diante desse conflito, ainda mais por que tenho plenas convicções de que política e religião resultam numa mistura explosiva muito perigosa. O documentário foca principalmente na pessoa de Abdul Qadeer Khan, cientista nuclear e pai do Programa Nuclear Paquistanês, considerado como maior difusor das tecnologias que podem levar os terroristas à bomba nuclear. Considero esse documentário importantíssimo pela sua atualidade, já que se trata da nova paranóia americana: o terrorismo nuclear. Para mim, a posse de armas nucleares pelas nações islâmicas é apenas uma questão de tempo. É improvável que haja uma guerra nuclear, as probabilidades para esse cenário são remotas, porém quando o assunto é terrorismo pode se esperar qualquer coisa.

Filme completo em 5 partes: http://www.youtube.com/watch?v=d1uWagjqRds


Ainda existem outros bons documentários sobre bombas nucleares e suas implicações. No próximo post pretendo apresentar filmes interessantes sobre o tema. A energia nuclear é feito humano milagroso, porém trouxe como consequência a irreverência humana, que através das bombas nucleares nos dá passe livre ao apocalipse.


Caso você veja um flash, não esqueça: Duck and Cover!