segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Avatar



Nesse último final de semana assisti com minha esposa ao filme Avatar, do diretor James Cameron, mesmo de “Titanic”, “Exterminador 2” e “Aliens, o Resgate”. Eu andei meio desligado com esses novos lançamentos e confesso que só ouvira falar do Avatar recentemente. Confesso que ao assistir ao trailer no Youtube eu fiquei um pouco desconfiado, pois o filme envolve atores reais com atores CG (computer graphics), será que ia dar certo?



A ganância humana: quem poderá detê-la?

Ansiosos, pegamos uma sessão dublada devido ao horário inconveniente da versão legendada. O legal foi que pegamos a versão 3D, na qual usamos aqueles óculos especiais da IMax. Pagamos o preço salgado de 18 reais por cada meia-entrada (estudante), que aqui em Porto Alegre nunca é “meia” e sim um descontinho de 3 reais mais ou menos (máfia). Apesar disso, a experiência foi fantástica em todos os sentidos. Foi o primeiro filme que assisti em 3D e é incrível do que a tecnologia IMax é capaz de fazer... teve uma cena que o ator joga uma granada na tela e a maioria da platéia tentou desviar... cara, muito engraçado, teve gente que botou os braços pra proteger o rosto. Noutra cena, os mergulhos aéreos dos na'vi à bordo de seus banshees chega a ser vertiginosa. A imersão no filme é muito maior, você esquece o mundo real (isso é bom!). Chato é ter que devolver os óculos 3D no final da sessão... uma pena, pois daria pra “bossar” no melhor estilo “De Volta Para o Futuro” (the 80’s rules!).


 Filmes em 3D: experiência fantástica! Mas eu me pergunto...
o que que essa tia tava fazendo sem os seus óculos 3D?

Sobre o filme, não vou contar tudo como fiz no post Robocop, pra não perder a graça. A história é tão simples quanto profunda: no ano de 2200 e alguma coisa os humanos descobrem no paradisíaco planeta Pandora um mineral com propriedades raríssimas, cujo quilo vale bilhões de dólares. No entanto, sob a jazida existe o lar de uma tribo de alienígenas chamados “na'vi”, que vivem em perfeita harmonia com o seu meio ambiente. Para atuar e tentar negociar seus interesses junto à comunidade na'vi, os humanos desenvolveram uma tecnologia revolucionária, que utiliza clones (conhecidos como “avatares”) feitos com mistura de DNA na'vi e humano, que são controlados remotamente por cientistas e um soldado paraplégico chamado Jake Sully (o mocinho). Os humanos estão determinados e um conflito de grande proporção se mostra inevitável. Nesse meio termo, Jake Sully controlando seu avatar se envolve com a cultura na'vi e a personalidade forte de Neytiri, filha dos chefes da tribo. Bom, o resto vocês imaginem.



Jake Sully e Neytiri: amantes alienígenas unidos por um propósito

Várias questões pertinentes são levantadas durante o filme. A primeira é sobre ecologia. No filme, vemos um ambiente intocado, riquíssimo em biodiversidade e beleza natural. As cores dos animais, plantas e até dos riachos é altamente psicodélica, belíssima, parece até o paraíso tal como deveria. Os humanos representam a ameaça, a destruição do imaculado com o propósito da apropriação de riquezas. Como sempre, existe uma minoria que pensa diferente, tentando aprender sobre o ecossistema e valorizá-lo pelo que é, pela sua sustentabilidade e como pode prover benefícios à todos. Como agrônomo, sei da minha responsabilidade em buscar indicadores que atestem a qualidade do solo e a sustentabilidade de sua exploração, por isso, acho perfeitamente viável a recuperação de áreas degradadas e a otimização das áreas já disponíveis para o cultivo ao invés da expansão da fronteira agrícola para a Amazônia, ambição da bancada ruralista do governo. Infelizmente, boa parte dos agrônomos é formada como “tratores e colheitadeiras” (máquinas irracionais) para essa nova “frente de trabalho”. Os alternativos, marxistas de discurso, em parte lesionados pelos efeitos da maconha não tem capacidade para peitar os agrônomos de terno e gravata (agribusiness motherfuckers!). E nós? Pesquisadores ávidos por publicações periódicas, sem comprometimento efetivo com o meio-ambiente. Qual será nossa parcela de culpa?

A questão étnica é bem trabalhada no filme. Os humanos simplesmente querem arrancar à força o que eles pensam possuir. Assim, ignoram e menosprezam a civilização na'vi, seus costumes, suas tradições, sua religião, seu conhecimento e valores individuais. Não é isso que os E.U.A. fazem com as outras nações? Não foi isso que os europeus fizeram à nossa terra e nossos índios? Há momentos em que o filme nos faz chorar, de pena ou do mais puro ódio. O pior é saber que isso é atual e ocorre nas nações invadidas pelos E.U.A., justificado pela propaganda mascarada da liberdade. Penso por alguns instantes... quem (além de mim) estará preparado quando eles invadirem a Amazônia? Já esqueceram que há poucos meses atrás eles montaram uma base militar na Amazônia peruana? Nada contra os americanos, mas sua forma de governar não serve para o mundo. Ainda sobre a questão étnica, somos todos índios e abominamos nossos índios. Por quê?

Avatar vai muito além de um “Dança com Lobos”, mostra que a fé e a determinação são valores que levam ao sucesso. O caminho pode ser tortuoso e cheio de adversidades, tristezas, mas todas superáveis se tivermos esses valores.


Os rebeldes: militantes da causa na'vi
Que bom matar a saudade da Sirgouney Weaver!


Que assistir ao trailer? Simbora no http://www.youtube.com/watch?v=XgENNNOOom4

Quer assistir ao filme? Aconselho a ir ao cinema, pois esse vale muito a pena, principalmente em 3D. É um bom filme para ter em DVD. Até o presente momento não há versões decentes para serem baixadas na internet.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

A importância de se ter um hobby

Às vezes eu estranho as pessoas. Muitas passam suas vidas se torturando em busca de dinheiro, status e se esquecem de gozar a vida e as coisas boas do mundo. Como é interessante conversar com pessoas que são especialistas em áreas ou coisas que a gente desconhece, pois é sempre gratificante aprender e acumular experiências diferentes.

Quanto vive um ser humano? 80? 100 anos? Muitos dizem “é muito pouco, um sopro, quase não dá tempo pra fazer nada”, mas se isso tivesse fundamento, por que é que existem tantos passatempos? Na verdade acho o termo “hobby” mais legal, pois “passatempo” dá uma idéia de algo sem valor, que é feito apenas para “gastar” o tempo que a pessoa dispõe. Da mesma maneira o termo “mania” dá idéia de compulsão.
Existe uma infinidade de hobbies. Há hobbies passivos e ativos. Por exemplo, ser torcedor fanático do Flamengo (não gosto de futebol, a não ser na Copa do Mundo) é um hobby tremendamente passivo, pois você atua como espectador, não interfere diretamente no desempenho do time e sua satisfação está sempre à mercê da sorte, afinal de contas o time pode lhe trazer tanto alegria como tristeza. Da mesma forma, colecionar figurinhas é um hobby que depende muito da sorte, pois completar um álbum é uma tarefa gratificante, porém encontrar a última figurinha exige um esforço, ou sorte, danados. Lembro que o único álbum de figurinhas que completei foi o “Dinossauros” do chocolate Surpresa, o qual recebi em casa mediante uma carta que enviei à Nestlé. Eu comia chocolate Surpresa de manhã, de tarde e de noite e depois me acabava no banheiro, tudo para conseguir a última figurinha (do espinossauro) e completar o álbum. Por ironia, encontrei a figurinha sendo mastigada por um amigo de infância, dei-lhe uma tapa na boca, peguei a figurinha e o contemplei com um chocolate Supresa novinho, afinal aquela figurinha valia muito mais.


Álbum de figurinhas do chocolate Supresa: nunca comi tanto chocolate na vida

Os hobbies passivos também podem virar fetiches, como no caso das coleções de coisas. Essas, muitas vezes, demandam disposição e bastante dinheiro. Não estou falando de coleções de carros de verdade, mas de coisas pequenas, mais baratas, como brinquedos, revistas, CDs, DVDs, etc. O mais comum são as coleções de revistas, CDs e DVDs. Nos anos 80 era de praxe ter em casa ao menos uma coleção de vinis, não importa se fosse da Xuxa ou do Balão Mágico, o importante era ter inclusive aquele disco ruim pra caramba. Na adolescência iniciei a coleção do Pink Floyd, que foi interrompida bruscamente quando escutei o Nirvana e em seguida Led Zeppelin, banda que uniu o som virtuoso com peso, elementos musicais que considero importantes. Isso é assunto pra outro post... Pois bem, um amigo meu também iniciou a coleção de CDs do Pink Floyd pouco tempo depois e completou com mais ou menos uns 30 discos, incluindo coletâneas, ao-vivos e tudo mais. Admiro o esforço dele, já que alguns discos são bem raros e esgotados. Infelizmente quando questionado sobre algumas músicas de discos obscuros como o Ummagumma, ele pouco ou nada sabia. Então, seria ou não um caso clássico de fetiche? Se sim ou não, não tenho nada a ver com isso. Completei minha coleção de CDs do Led Zeppelin no ano passado também por fetiche, afinal há anos eu tinha a versão pirata do The Song Remains The Same e já havia escutado e assistido esse show em VHS e DVD mais de 100 vezes (todos os dias antes de ir pra aula em 1998, quando fazia o terceiro científico). Ainda me faltam os vinis do The Song Remains The Same e do Physical Graffitti, os quais talvez eu nunca escutarei (som de vinil melhor que CD é lenda, charlatanice).

Box com a coleção do Led Zeppelin: comprei os meus
um-a-um, foi bem mais divertido!

O hobby ativo é aquele no qual o indivíduo participa diretamente, no qual sua ações influenciam no resultado final do processo (eu e minhas definições...). Esses hobbies geralmente demandam tempo e dinheiro, mas dedicação e empenho são parte da diversão. Um exemplo desses é o aeromodelismo, tenho um professor que é aficionado por construir e testar aeromodelos, e segundo ele “você tem a sensação de estar lá pilotando aquela máquina maravilhosa”. Lembro que quando eu passeava com meus pais perto da Usina do Gasômetro em Porto Alegre, à beira do Rio Guaíba em Porto Alegre havia áreas livres para a prática desse hobby, porém eu mal sabia que alguns aviõezinhos daqueles chegavam a custar o preço de um carro usado. É um hobby muito restrito.
O foguetismo é outro hobby que acho muito legal, pois geralmente envolve uma equipe de nerds, dedicados a estudar os fundamentos da física e tecnologia dos propulsores e munidos desse conhecimento constroem foguetes com o simples objetivo de voar o mais alto e estável possível. Muitas vezes esses foguetes amadores possuem câmeras que filmam toda a “viagem” e pára-quedas para recuperação do foguete. Vários times de fogueteiros surgem em colégios, incentivados por professores de física que fazem da disciplina um sonho (não tive essa oportunidade). Em 1995 eu até tentei ser fogueteiro, porém meu pai confiscou o tubo de pólvora que eu havia comprado para usar no meu primeiro foguete. Na teimosia (e inocência), construí um foguete movido a querosene, impulsionada por uma mola dentro do corpo (tubo de Cebion). Houston, eu estava realmente pronto! Risquei o fósforo, acendi a querosene que vasava do foguete, corri e de longe observei o foguete incendiando e derretendo lentamente (poxa, nem explosão teve). Acabei com a festa com um balde de água e nunca mais construí outro foguete (ô tristeza).


Foguetismo: hobby superlegal, desde que tomados
os devidos cuidados
Existem também hobbies extremamente especializados, como é o caso da música e do radioamadorismo. Em 1997, montei com minha irmã e alguns amigos uma banda de rock chamada Venera (homenagem à nave soviética que visitou Vênus em 1973). Cheguei a tocar guitarra razoavelmente (solava Stairway to Heaven, me sentindo o Jimmy Page da Paraíba) e também tínhamos músicas próprias. Infelizmente, a pós-graduação enterrou meus delírios de “estrela do rock". Bom, mas o legal de um hobby como a música é que você precisa se dedicar a seu instrumento, ter intimidade com ele e conhecer detalhes de sua manutenção e funcionamento para ter uma performance ideal. O retorno máximo de tocar numa banda é sem dúvida o aplauso, o reconhecimento. Sobre o radioamadorismo, eu não tenho o mínimo conhecimento, apenas tenho um amigo que me conta comigo suas experiências com esse hobby que é uma nerdice pura. Pra começar, o sujeito deve entender sobre ondas e como captá-las, deve saber montar ou adaptar os próprios aparelhos, instalar antenas (muitas delas enormes), ter permissão oficial para usar determinados canais de rádio e depois fazer seus contatos por rádio, montar uma equipe e fazer experiências, como por exemplo, contatos distantes (existem competições entre equipes), enviar fotos ou arquivos através de sistemas de rádio (sensacional), etc. Ultimamente esse meu amigo tem desenvolvido um “satélite” aéreo que subirá a bordo de um balão de hélio fotografando e enviando imagens por rádio. Ironicamente, em 1996, com 16 anos eu passava boa parte de meu tempo bolando e desenhando projetos semelhantes, porém sem base científica, nem recursos financeiros para torná-los realidade.


Meados de 1997: primeiro show da banda
Venera (sim, o cabeludo sou eu mesmo)
Com o advento da internet ficou muito mais fácil ter acesso a hobbies, principalmente devido aos fóruns específicos espalhados em diversos sites, com destque para os do Orkut. Assim, pode-se trocar experiências sobre os mais diversos temas, resolver problemas e ajudar a quem precisa. Pra quem tem vontade de praticar um hobby mas não quer gastar muito com isso existem várias alternativas. Um hobby barato e divertido é a leitura de livros. Existem sebos difundidos em tudo quanto é lugar, e bons livros custando menos de 20 reais. O livro, através da introspecção, permite uma experiência única, pois mexe com o poder imaginativo individual e isso é fantástico. Outro hobby bacana e também barato é a fotografia, que apesar do custo inicial com a aquisição de câmeras digitais ou analógicas, permite momentos de satisfação e ainda o hobbista pode expor seus trabalhos em diversos sites, como por exemplo o Flickr. Enfim, não existe hobby que não acrescente algo à pessoa que o pratica. A informação e a experiência, por mais simples ou frívolas que pareçam não deixam de ser uma manifestação da cultura, e essa é uma característica inerente ao ser humano.

Eae? Quais são seus hobbies? O que você gosta de fazer?

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Toca no meu som... (out a dez de 2009)




Meu período em São Carlos também foi muito rico musicalmente. Minha colega de sala e blogueira Camila, que compartilha de alguns de meus gostos musicais, me ajudou a desenterrar verdadeiras pérolas dos anos 80 e 90. Tá certo que essas décadas tiveram muitas músicas e bandas ruins, daquelas que fazem a gente sentir vergonha alheia, porém boa parte garante momentos de nostalgia recompensadores.

Música boa é pra sempre, né verdade?

Com vocês... músicas que escutei em outubro, novembro e dezembro de 2009 (tem muito mais, comentarei apenas às antigonas). Abaixo de cada uma tem o link correspondente do youtube pra dar aquela conferida.

Build (The Housemartins) – melô do “papel”, essa é pra Camila
Rocketman (Elton John) – indicada por Sara, sintetiza meu momento em São Carlos
The Sun always shines on T.V. (A-ha) – essa é pra dançar na pista
Overkill (Men at Work) – que saudade dos solos de sax desses caras
For your babies (Simply Red) – balada pra relaxar
Iris (Goo Goo Dolls) – mais conhecida como tema do filme Cidade dos Anjos
I won’t let you down (Ph.D.) – nossa, do fundo do baú da vovozinha
Enjoy the Silence (Depeche Mode) – meio esquisita, mas fez sucesso
Sacrifice (Elton John) – irritou de tanto que tocava no rádio no início de 90
Rebel in me (Jimmy Clif) – altas festinhas pré-adolescentes
Sorry (Tracy Chapman) – essa escutei muito em fita cassete
Hello (Lionel Ritchie) – sucesso do “bigodudo”
Both Sides Now (Joni Mitchell) – essa é de 1969, mas tá valendo, afinal é minha cantora favorita

E aí? Alguém encontrou mais alguma pérola perdida dos anos 80 e 90?

Quer baixar essas músicas em mp3? Acesse http://search.4shared.com/network/search.jsp e tenha bons momentos de nostalgia.

Obs.: sou contra a pirataria, porém, boa parte dessas músicas é raríssima de se encontrar em outro lugar que não seja a internet. Esta é a melhor maneira de prestigiar estes artistas e, caso haja interesse, adquirir CDs ou outros produtos dos mesmos, disponíveis eventualmente no mercado.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Robocop




Hoje vou falar de meu filme favorito e também meu herói predileto: ROBOCOP.
Em meados de 1989, lá estava eu, um guri fanático por Changeman e Jaspion, dois seriados japoneses exibidos na extinta TV Manchete. Como se não bastasse assistir na TV diariamente eu ainda implorava para meu pai alugar VHS dos Changeman, sempre que íamos à locadora e numa certa vez ele me convenceu (obrigou) a alugar o Robocop, alegando que era muito melhor que Changeman. Foi assim que começou uma verdadeira mania, pois eu alugava o filme diariamente chegando ao ponto do dono da locadora propor a meu pai fazer uma cópia pirata, pois disse que meu pai iria gastar menos e outras pessoas poderiam locar o filme. Dentro desses 20 anos (1989-2009) já assisti ao filme mais de 90 vezes. Eu não estou brincando.

Robocop foi lançado em 1987, dirigido por Paul Verhoeven (o mesmo diretor de “O Vingador do Futuro”, “Instinto Selvagem” e “Tropas Estelares”) e estrelado por Peter Weller, Nancy Allen, Ronny Cox, entre outros atores. O filme tem elementos cyberpunk e noir, ou seja, mostra um futuro próximo com tecnologia avançada, porém com uma sociedade corrupta e degenerada. É nesse meio em que o policial Alex Murphy é transferido para o Departamento de Polícia de Detroit, prestes a entrar em greve devido a salários baixos e assassinatos em série de policiais. Paralelamente, a OCP, uma poderosa e inescrupulosa corporação planeja construir sobre Detroit uma nova cidade chamada Delta City, mas precisa resolver o problema da violência urbana e as reivindicações policiais. Dentro da corporação destacam-se o presidente conhecido como “Velho”, o vice Dick Jones e o executivo jovem e oportunista Bob Morton. Dick Jones planeja impressionar o Velho e demais executivos com seu robô ED-209, desenvolvido para substituir os policiais de carne-e-osso (dura crítica à automação e ao desemprego), porém algo sai errado e o robô entra em pane, matando um executivo (essa cena é brutal, o cara praticamente vira um queijo suíço de tanto tiro). Se aproveitando do erro de Dick Jones, Bob Morton sugere um plano de apoio chamado “Robocop” e recebe carta branca do Velho.

Murphy e Lewis: parceiros no combate ao crime.



O Velho, Dick Jones e Bob Morton: escândalos e corrupção
na corporação que criou o Robocop

Murphy e Lewis (sua parceira) perseguem a gangue do famigerado Clarence Boddicker, um psicopata, estrupador, traficante, assassino de policiais, líder do crime em Detroit e cúmplice do Dick Jones vice-presidente da OCP (ou seja, o cara é um anjinho a serviço do mau). A perseguição termina no esconderijo dos bandidos, uma fábrica abandonada (clichê dos filmes do Robocop). No senso do dever Murphy e Lewis decidem fazer a abordagem e se dão mal. Lewis sofre uma queda e fica inconsciente, enquanto Murphy é cercado pelos bandidos. Essa parte é a mais sádica do filme, o Clarence Boddicker brinca enquanto violenta Murphy. Com um tiro ele estoura a mão do Murphy e pede pra os comparsas “darem uma mão ao rapaz” (nossa... essa cena é muito forte) e em seguida os bandidos fuzilam Murphy com armas pesadas, arrancando fora seu braço e deixando seu corpo completamente ensangüentado, enquanto brincam “está doendo?”. Agonizando, Murphy leva o tiro final na cabeça e em seguida os bandidos fogem. A cena seguinte é tensa, mostrando a luta dos para-médicos para tentar salvar a vida de Murphy, que inconsciente, relembra cenas de sua vida até seus últimos momentos.



A morte brutal de Murphy: cena mais violenta do cinema

Murphy morre e renasce como um ciborgue (meio homem-meio máquina) em desenvolvimento. Durante essas cenas, a perspectiva é a do personagem assistindo as coisas acontecerem, porém tudo envolto num grande mistério. Ainda nesse clima, o Robocop é levado ao Departamento de Polícia de Detroit, onde fica montada a base de operações da OCP. Ele é apresentado aos executivos da OCP e submetido a testes prévios, um deles sendo enunciar suas diretivas principais: 1 – servir ao público; 2 – proteger o inocente; 3 – impor a Lei; e 4 – diretiva secreta.


Murphy renasce como Robocop pelas mãos
de Bob Morton e sua equipe


Teste de tiro ao alvo: nota 10!

Robocop é posto à prova e faz diversas abordagens a criminosos. Primeiro, acaba com a raça de um ladrão que ameaçava um casal de velhinhos num supermercado. Segundo, prende dois estrupadores em flagrante (ele mira entre as pernas da mulher refém e acerta o saco do cara... uma cena hilária e gratificante para as pessoas de bem). Terceiro ele salva o prefeito de Detroit, refém de um ex-funcionário surtado e perigoso. Com isso, Robocop ganha notoriedade e aprovação pública, enquanto Bob Morton (executivo responsável por ele) torna-se vice-presidente da OCP, enfurecendo Dick Jones.
Numa certa noite, enquanto Robocop estava em repouso e manutenção no Centro de Operações do Departamento de Polícia, tem um pesadelo com os bandidos que o mataram e em seguida foge enfurecido e topa com Lewis (sua antiga parceira) no corredor. Ela já desconfiada há bastante tempo, faz-lhe a pergunta “Murphy, é você?”. Ele retruca, finge que ignora e parte para o combate ao crime. Por coincidência Robocop topa com Emil (da gangue de Clarence) que estava assaltando um posto de gasolina. Ao receber a voz de prisão (“Morto ou vivo você vem comigo”) Emil o reconhece como o policial que eles haviam matado (“Você morreu, nós matamos você!”). Na troca de tiros o posto de gasolina explode, Robocop sai das chamas, acerta a moto de Emil e o interroga “quem é você?”.



"Morto ou vivo você vem comigo"


Emil apavorado: "Você está morto, nós te matamos."

Em seguida, Robocop entra no Setor de Inteligência da Polícia e com sua agulha retrátil (uma espécie de interface) acessa dados os computadores da polícia obtendo informações sobre Emil e a gangue de Clarence. Na ficha de Clarence ele reconhece o nome Alex Murphy e vê sua própria foto com uma tarja “falecido”. Levantando dados de Murphy ele chega a casa onde viveu, já desocupada e à venda. Essa cena é muito dramática, mostrando lapsos de memória de seu filho e sua esposa. É aí que ele percebe realmente quem foi, e a partir daí é tomado por um único sentimento: vingança!

Cara a cara com o próprio assassino

Ele prende Leon, outro membro da gangue de Clarence e fica a um passo de pegar o chefão. No mesmo momento Clarence Boddicker invade a casa de Bob Morton (vice-presidente da corporação e criador do Robocop), atira nas pernas dele, entrega um vídeo a mando de Dick Jones, onde o próprio justifica sua vingança. Com a bomba deixada por Clarence a casa vai pelos ares e a cena seguinte mostra Robocop invadindo uma grande refinaria de cocaína, topando de frente com dezenas de bandidos fortemente armados. Ele mata um a um, até chegar ao Clarence Boddicker, que é jogado sadicamente contra vidraças, implorando pela vida e ao mesmo tempo denunciando Dick Jones, seu superior e “chefão” do crime em Detroit.


Dick Jones e seu guarda-costas: osso duro de roer

Apesar da vingança, Robocop poupa a vida de Clarence e parte em busca de Dick Jones, que já o esperava no arranha-céu da corporação. Robocop tenta prendê-lo, mas logo a diretiva 4 entra em cena – como produto da empresa, ele não pode se voltar contra membros da empresa, sob a pena de auto-destruição. Ele entra em pane, mas consegue gravar as palavras de Dick Jones (“Tive que matar Bob Morton por que ele cometeu um engano, agora chegou a hora de acabar com esse engano”). Confiante, Dick Jones chama seu ED-209 que parte pra cima arregaçando o Robocop, que foge pelas escadas. O ED-209 tenta alcançá-lo, mas toma um tombo cômico na escada, incapaz de se levantar. Na saída do prédio uma SWAT (uma espécie de tropa de elite) à comando de Dick Jones tenta por um fim no Robocop, que é socorrido por Lewis, sua antiga parceira e levado para um esconderijo (bingo!... uma fábrica abandonada). É nesse momento que Robocop retira seu capacete, expondo novamente a face de Murphy unida com suas partes robóticas. Lewis fica feliz em ver o parceiro novamente e comenta que após o funeral sua família se mudou e tenta reconstituir uma vida nova. Robocop pede privacidade e medita sobre sua vida anterior.
Clarence, solto pelos advogados de Dick Jones, o faz uma visita e recebe ordens e armas pesadas para acabar com o Robocop, antes que ele denuncie Dick Jones pela morte de Bob Morton e envolvimento com criminosos. De posse de um localizador, Clarence e sua gangue chegam à fábrica abandonada e são surpreendidos pelo Robocop e Lewis.

Emil joga o furgão dos bandidos sobre o Robocop, erra e acerta em cheio um tanque de ácido tóxico. Uma onda de ácido sai pela porta traseira do furgão e Emil se levanta berrando e se derretendo (nossa... essa cena é clássica e muito “gore”). Nos carros, Lewis persegue Clarence, que atropela o “cadáver vivo” Emil e acaba caindo num aterro. Ele sai de surpresa do carro e atira contra Lewis, que é salva na última hora pelo Robocop que vem ao encontro de Clarence. Leon, membro restante da gangue, maneja escondido um guindaste e joga uma pilha de vigas metálicas imobilizando o Robocop, mas logo é morto por Lewis, que se arrastando consegue atirar no guindaste com uma arma pesada, caída do carro de Clarence.



Emil se derretendo após o banho de ácido: cena clássica

Oportunista, Clarence bate no Robocop com uma viga de metal e a enfia no peito dele que grita furioso, bota pra fora a agulha retrátil e enfia com violência no pescoço de Clarence que cai agonizando.


Vingança final


Já no final (ufa) Robocop vai ao encontro do Dick Jones, no momento em reunião na corporação. Com um tiro do canhão de Clarence ele abate um ED-209 e sobe até a sala da corporação, acusando Dick Jones. Por sua vez Dick Jones tenta difamá-lo, mas Robocop explica que não pode agir contra um membro da empresa e exibe no vídeo da sala a gravação do próprio Dick Jones justificando por que matou Bob Morton. No desespero Dick Jones toma o Velho como refém e exige um helicóptero. Nesse momento o Velho o demite e a diretiva 4 automaticamente desaparece. Robocop dispara tiros certeiros e Dick Jones despenca de cima do arranha-céu.


Dick Jones despenca prédio abaixo: fim digno de um "poderoso-chefão"


O Velho agradece e pergunta o nome do Robocop, que diz orgulhoso: “Murphy”.
 
Missão cumprida!


O Legado Pessoal: Porto Alegre, as drogas e o meu pai

Robocop é um filme que me marcou muito. Primeiro, o assisti bem na época que minha família se mudou da Paraíba para Porto Alegre, quando eu ainda me acostumava com a idéia de cidade grande e todas as suas implicações, positivas e negativas. Eu percebia que Porto Alegre tinha desenvolvimento e tecnologias mais acessíveis, porém também possuia marginalidade, violência e drogas. Foi com esse filme que aprendi o quanto as drogas geram violência e degeneram a sociedade. Desde meus 9 anos sou radical nesse quesito (legalização é o caralho!) e fico profundamente triste ao reconhecer o quanto as drogas estão presentes nos nossos meios.

Naquela época eu ainda acreditava que o Robocop viria botar ordem no Brasil, transformá-lo num lugar melhor, seguro e livre da violência. Hoje, sei que cada um tem sua parcela de responsabilidade com o mundo em que vivemos. Alex Murphy era um homem íntegro, religioso, carinhoso com a família e dedicado ao seu trabalho, enquanto Robocop era um ser dotado de coragem e determinação. Todas essas qualidades me lembram meu pai, o super-herói mais real que tive o privilégio de conhecer. Talvez seja por esse motivo que o Robocop ainda é tão significativo para mim.


Sobre tudo isso, me pergunto... não deveríamos nós sermos os exemplos para os que virão? Por que será que ser super-herói real anda tão fora de moda?


Quer assistir ao filme? Então baixe os dois primeiros links (parte 1 e parte 2) e extraia o filme num só arquivo.
O filme está no formato dual audio, em português (dublado) ou inglês. Se preferir o modo inglês a legenda está nesse próximo link:

Quer saber mais sobre Robocop? Então acesse o melhor site do mundo sobre o herói: http://robocoparchive.com/ Muita informação e curiosidades. Sensacional!


Quer ir à uma "festa à fantasia" em grande estilo? Tinha uma armadura completa do Robocop, usada e autografada pelo ator Peter Weller (o Murphy) à venda no Ebay por 2.250 dólares, mas infelizmente já foi vendida. Tem uma bem tôsca à venda nesse site: http://www.joke.co.uk/fancy_dress/adult_robocop_80s_costume~62481.html?source=AFFWIN&awc=854_1260316640_a98de2aac63ae91ebaccd2775208857b . Agora, se você deseja exercitar sua criatividade, faça você mesmo o seu sucesso:


Fantasia caseira do Robocop: o que vale é a intenção... certo?

sábado, 21 de novembro de 2009

Turismo Espacial




Ir ao espaço sempre foi o sonho de muitas pessoas, eu inclusive. Durante décadas, essa possibilidade era delegada às pessoas com currículo militar ou científico invejáveis, condicionamento físico perfeito, frieza e equilíbrio psicológico, e claro, muita sorte. Enfim, apenas seres humanos excepcionais tinham o privilégio de ver lá de cima o mundo que Deus fez pra nós.


Agora seus problemas acabaram! Desde 2001, a empresa norte-americana Space Adventures vende viagens e estadia de 10 dias na Estação Espacial Internacional (ISS, sigla em inglês) para turistas espaciais, inicialmente pela bagatela de 20 milhões de dólares, e ultimamente por 35 milhões de dólares. Achou caro? Pare e pense: quanto vale um sonho?

Estação Espacial Internacional (ISS): 35 bilhões de dólares flutuando no espaço

Ao contratar a Space Adventures, o turista espacial entra numa fila disputada por outros milionários, e assim que é autorizado, inicia um treinamento intensivo de 6 meses na Cidade das Estrelas, região à nordeste de Moscou, onde fica o Centro de Treinamento Yuri Gagarin (nome em homenagem ao primeiro homem a ir ao espaço). Esse treinamento inclui testes de aptidão física (pressão, força G, resistência), testes psicológicos (ação em situação de perigo e estabilidade emocional), testes em simuladores (modelos das espaçonaves, simulação de gravidade zero), teste de sobrevivência (necessário caso a espaçonave pouse em lugar remoto) e também idioma russo (parte mais difícil...). Habilitado para a viagem, o turista espacial participa de diversas solenidades públicas, como por exemplo, visitas aos túmulos de mentores do Programa Espacial Soviético, estátuas de cosmonautas e à sala intacta de Yuri Gagarin. O turista espacial também participa de rituais de homenagem à figura de Gagarin, tradição desde o primeiro vôo espacial: assistir "O Sol Branco do Deserto", filme sobre a revolução bolchevique que Gagarin assistiu antes da viagem; e urinar na roda do ônibus que leva os cosmonautas ao foguete, ato de Gagarin diante do perigo da primeira viagem espacial (na minha opinião uma mistura de heroísmo com suicídio).

Lançamento do foguete e a Soyuz em órbita

Hora de voar! O turista espacial viaja a bordo da espaçonave Soyuz, concebida inicialmente para levar os russos para a Lua. Em atividade há 40 anos, a Soyuz possui 7,2 metros de comprimento por 2,7 metros de diâmetro, sendo composta de três compartimentos: módulo orbital (onde a tripulação fica durante a viagem), módulo de reentrada (usado apenas na subida e na descida) e módulo de serviço (instrumentação e suporte de vida). Ela tem capacidade para 3 tripulantes, no caso dois cosmonautas e um turista. Em órbita, a viagem até a ISS dura cerca de 2 dias, tempo suficiente pro turista espacial esticar as pernas e apreciar a paisagem, mas ainda sem muito conforto. É como viver 2 dias dentro de um carro fechado com mais 2 pessoas.

Soyuz atracada na ISS e o espaço interno da espaçonave: 2 dias num fusca

Ok, já chegamos! A Soyuz acopla na ISS e enfim o turista espacial chega a seu destino: uma instalação de 300 toneladas, espaço interno de 358 metros quadrados, voando há 360 km de altitude e que custou mais de 35 bilhões de dólares aos cofres dos EUA, Rússia, Japão e diversas outras nações, incluindo uma pífia participação do Brasil. Durante a estadia na ISS o turista pode apreciar e registrar diversas paisagens terrestres, transmitir imagens e mensagens às pessoas na Terra e realizar experimentos científicos para aproveitar o tempo. Tem sido cogitada a oferta exclusiva de caminhadas espaciais, ou seja, quando os astronautas saem da estação com seus trajes espaciais para dar umas voltas e apreciar uma visão única e esplendorosa da Terra (custará apenas 15 milhõezinhos, uma merreca...). Terminada a estadia, o turista espacial volta na mesma nave que o trouxe, porém, com outros cosmonautas devido à troca de equipe. A volta para casa é mais rápida: o módulo de descida da Soyuz faz a reentrada na atmosfera (momento crítico onde a nave praticamente pega fogo como um meteoro), abre os pára-quedas e nos segundos finais liga os motores para um pouso suave nas planícies do Cazaquistão. Uma equipe de busca é enviada e o turista levado junto aos demais cosmonautas para o Centro de Treinamento Yuri Gagarin para exames e demais formalidades.

O pouso da Soyuz e o resgate

E o que fica? O nome na história, lembranças cravadas na memória, uma experiência real do treinamento e da vida no espaço, a chance de inspirar os jovens na persistência de seus sonhos, de chamar atenção para causas humanitárias ou também promover um produto, claro, turista espacial não é bobo. Todos os turistas que já foram (7 até o presente momento) comentaram que valeu cada centavo dos milhões investidos, e um deles conseguiu a proeza de viajar como turista duas vezes. Abaixo uma pequena nota sobre cada um deles:

Dennis Tito (EUA, 2001): trabalhou um tempo na NASA, tornou-se multimilionário com a administração de empresas e foi o primeiro turista espacial da história.



Mark Shuttleworth (África do Sul, 2002): programador de computadores que ficou milionário ao vender sua empresa de segurança de internet, atualmente trabalha promovendo softwares livres.



Gregory Olsen (EUA, 2005): empreendedor e cientista, dono de uma empresa de desenvolvimento de material óptico-eletrônico, dá palestras para motivar crianças de minorias étnicas para seguirem carreira na ciência.



Anousheh Ansari (Irã, 2006): primeira turista espacial feminina, foi estudar nos EUA pois no Irã não era permitida, formada em engenharia elétrica e computação, empresária e maior patrocinadora do prêmio Ansari X Prize que destinou 10 milhões de dólares para a primeira nave civil que chegasse ao espaço (isso vale outro tópico...) e agora patrocina outros desafios. Sua família investe em empresas que tornem o turismo espacial uma realidade ao redor do mundo. É inspiração para as mulheres e jovens e para empresas que buscam investir em tecnologia aeroespacial.




Charles Simony (Hungria, 2007 e 2009): é o sortudo que foi duas vezes, programador da Microsoft, amigo de Bill Gates famoso por ter criado a notação húngara. O site dele é bem bacana.



Richard Garriott (Inglaterra, 2008): empresário e criador de games, é filho de um astronauta. 


Guy Laliberté (Canadá, 2009): artista circense, fundador e diretor do Cirque du Soleil, conhecido como o palhaço espacial pelas fotos com nariz de palhaço na ISS. Administra a One Drop, fundação que utiliza das artes para promover o uso sustentável da água e o acesso igualitário de água e alimentos para comunidades.


Como se percebe, o turismo espacial ainda não é para todo mundo. Entretanto, a maioria desses primeiros turistas espaciais está envolvida em ações concretas para torná-lo viável em médio prazo. Pra quem se interessou, a Space Adventures oferece os seguintes serviços: os mais baratos são os simuladores da Soyuz e ISS na Rússia, e os vôos de gravidade zero (em aviões quando eles fazem mergulhos demorados) por cerca de 5.000 dólares; o melhor custo-benefício é o vôo sub-orbital (100 km de altitude), numa pequena aeronave onde é possível ver a Terra do espaço e experimentar minutos de gravidade zero por cerca de 100.000 dólares (já existe uma fila imensa); o serviço vip que é o vôo orbital com estadia na ISS, comentado nesse tópico e que sai por 35 milhões de dólares. Agora se o que você quer mesmo é ir à Lua, tudo bem, por cerca de 100 milhões de dólares você pode reservar seu passeio. É sério! Trata-se do projeto de turismo mais ambicioso da história. Como comentado a espaçonave russa Soyuz foi concebida para levar os russos à Lua. A idéia seria lançar dois foguetes, um com a tripulação e outro com um módulo especial que acoplado no espaço levaria dois turistas e um cosmonauta ao redor da Lua para algumas órbitas e em seguida retornaria à Terra. Os turistas espaciais terão seus nomes registrados na história como os primeiros civis a viajarem ao redor da Lua, o mais longe possível da civilização. Por enquanto esse serviço não foi disponibilizado pois envolve um custo elevado no desenvolvimento de novas tecnologias, planos soviéticos estagnados desde a Guerra-fria. Quem sabe será algo concreto dentro dos próximos 10 anos.


Quem será o primeiro turista lunar?


Minha opinião final é que considero o turismo espacial como uma possibilidade incrível para pessoas que sonham em ir ao espaço e ao mesmo tempo um mercado cujo lucro a médio e longo prazo serão maiores do que qualquer empreendimento já realizado. O que estamos vendo agora é apenas o início de uma nova era na exploração do espaço, que sempre esteve lá, esperando para ser desvendado.

Quer ir ao infinito e além? entre no site da Space Adventures e dê uma olhadinha nas "ofertas"
http://www.spaceadventures.com/index.cfm

Deseja saber mais sobre a experiência como turista espacial? então siga o link pro site do Charles Simonyi, o sortudo que foi duas vezes http://www.charlesinspace.com/

Quer saber mais? o wikipedia em inglês dá uma idéia da coisa





sexta-feira, 13 de novembro de 2009

O Desastre de Chernobyl


Sempre tive curiosidade a respeito do acidente de Chernobyl, porém as informações disponíveis em muitos anos eram escassas e desencontradas. Atualmente, a internet dispõe de um material excelente e detalhado sobre as causas e conseqüências do acidente. Dentre os quais, recomendo o documentário O Desastre de Chernobyl (The Battle of Chernobyl), que é sem dúvida, impressionante.

Entrada de Prypiat: terra de ninguém

Chernobyl é uma cidade que fica na Ucrânia, parte da antiga União Soviética. Para os russos a energia nuclear tem uma grande importância, possibilitando o suprimento de energia em qualquer ambiente. Numa bomba atômica convencional o material nuclear de altíssima pureza (enriquecido) é implodido com auxílio de explosivos convencionais gerando uma reação em cadeia fora de controle (a explosão nuclear). Já num reator nuclear para produção de energia elétrica, o material nuclear é consumido em formas de pastilhas com menor grau de pureza numa reação controlada por diversos equipamentos (principalmente hastes de grafite) gerando calor, que é convertido pelo vapor de água em energia mecânica, e esta, através de um alternador é convertida em energia elétrica. Na noite do dia 26 de abril de 1986, um teste de redução de energia combinou erros humanos com deficiências do equipamento, resultando numa explosão do reator 4 da usina, matando instantaneamente vários funcionários, destruindo a cúpula de 1.000 toneladas e liberando uma enorme quantidade de material radioativo para a atmosfera.


Simulação da explosão do reator 4

O documentário mostra como isso ocorreu e todo o mistério que se desenvolveu em seguida. Passaram-se várias horas sem ninguém resolver absolutamente nada. Nem o governo sabia ao certo sobre o acidente. Informações desencontradas e o sigilo absoluto dos soviéticos agravavam a situação. Muitos dos técnicos e políticos se preocupavam apenas em restabelecer o fornecimento de energia, sem compreender a gravidade do acidente. Enquanto isso, a radiação contaminava o meio ambiente, as cidades e as pessoas. Durante a manhã do dia seguinte um cinegrafista a bordo de um helicóptero conseguiu filmar rapidamente o tamanho da destruição, inclusive o magma radioativo derretendo tudo dentro do reator. Em seu testemunho ele afirmou que depois da filmagem a câmera apresentou defeitos, resultados da radiação que chegava até o helicóptero.


Helicóptero se dirigindo à usina no dia seguinte ao acidente

Centenas de bombeiros foram recrutados para conter o fogo do reator. Pilotos militares também ajudavam lançando sacos de areia e chumbo com auxílio de helicópteros diretamente no reator. Cerca de 3 horas depois esses bombeiros e pilotos chegavam ao hospital enjoados, com fortes dores de cabeça, seguidas de vômitos e convalescença. Seus cabelos começavam a cair e logo em seguida eles morriam. A triste ignorância quanto aos perigos da exposição radioativa foi decisiva para comandar o esforço desses homens. Foram centenas de jovens heróis!

Medalha concedida aos liquidators: partículas alfa,
beta e gama em frente à gota de sangue

Paralelamente, era realizada a evacuação de mais de 200.000 civis em ônibus, deixando tudo pra trás, casas, apartamentos, pertences, vidas inteiras construídas sob aquele lugar. A cidade de Chernobyl e Prypiat, outra cidade mais populosa e vizinha à usina nuclear hoje em dia são cidades fantasmas, congeladas no tempo, onde agora a natureza tomou conta com árvores crescendo no meio das ruas e florestas em campos de futebol. O documentário da BBC O Mundo Sem Ninguém (Life After People, 2009) faz uma visita às cidades e mostra cenas fantasmagóricas, de um parque de diversões que nunca fora inaugurado, apartamentos e casas abandonadas, enfim um lugar impróprio para a habitação, pelo menos nos próximos 900 anos. Em outra ocasião comentarei esse documentário imperdível.
Voltando ao acidente, as cerca de 5.000 toneladas de material jogados no reator na tentativa de extinguir o fogo trouxeram um novo problema: o peso do material e a destruição provocada pelo magma nuclear ameaçavam a fundação do prédio do reator e isso poderia contaminar uma rede de aqüíferos enorme, comprometendo não somente a União Soviética, como também grande parte da Europa. A solução foi recrutar mineradores de todos os lugares da União Soviética para construir uma barreira de contenção no subsolo da usina e drenar a água contaminada das camadas superiores. Para isto, eles tiveram de escavar um saguão enorme, num ritmo alucinante, sob ameaça de desmoronamento, temperatura de até 50 graus Celsius e claro, recebendo altas doses de radiação.

A cidade fantasma de Prypiat, evacuada às pressas há 20 anos atrás.


O parque não-inaugurado, ônibus enferrujado,
brinquedos e escolas abandonados: desolação



Restava fazer a limpeza do teto da usina, que continha destroços e resíduos altamente radioativos. Inicialmente, usaram robôs comandados por controle remoto, no entanto os robôs começavam a falhar, certamente por danos radioativos nos seus circuitos. A solução foi desesperada, voluntários seriam usados para limpar o teto da usina. Conhecidos como liquidators, esses “bio-robôs” (apelido dado pelos militares) vestidos com pesadas roupas de chumbo e máscaras, só podiam ficar no teto da usina por 40 segundos, tempo a partir do qual as doses de radiação poderiam ser fatais. Foram milhares deles se revezando na missão. Em entrevista, um dos liquidators afirmou que durante o trabalho no teto da usina sentia um gosto de metal na boca, como um sinal de que a radiação já estava afetando o seu corpo. Muitos afirmaram que sabiam o risco que estavam correndo e devolviam a pergunta “Se não fossemos nós, quem seriam?”. Atualmente, os últimos liquidators ainda vivos reivindicam do governo a pensão e melhores condições para o tratamento de diversas doenças causadas pela radiação, principalmente o câncer.


A fonte do perigo: o reator 4 antes e depois de ser lacrado pelo "sarcófago" de concreto e metal, hoje bastante deteriorado



O último ato foi a conclusão da estrutura que selou o reator 4, conhecida como “sarcófago”. Foi uma celebração diante de um desastre que consumiu vidas humanas e 200 bilhões de dólares em esforços para contê-lo. Por outro lado, a contaminação radioativa perdura pela fauna, flora, aqüíferos e solos da zona de exclusão. Curiosamente, com a ausência dos humanos a fauna prosperou em quantidade e diversidade, sinal de esperança numa terra devastada. Poucas pessoas permanecem na zona de exclusão, a maioria são idosos de vilas próximas, técnicos, seguranças, pesquisadores e, por incrível que pareça, turistas. Sim, agências de turismo de Kiev oferecem pacotes completos, incluindo transporte até a zona de exclusão, tour pela cidade abandonada, permissão militar para entrada nas proximidades da usina (fotos com o reator 4 à distância são comuns) e garantia de retorno seguro até às 18h para o jantar. Eu não vejo nada de bizarro nisso, afinal a curiosidade humana não tem limites. Os destinos mais comuns do turismo sempre foram ruínas, logo, Chernobyl e Prypiat não deixam de ser “ruínas modernas”, com escolas abandonadas e suas propagandas estimulando as crianças soviéticas para a vida de trabalho, anfiteatros, centros culturais e parques de diversões enferrujados, tomados por plantas.



Turismo nas ruínas de Chernobyl: curiosidade sem limites



A roda-gigante que jamais rodou: símbolo pós-apocalíptico de Chernobyl 



Gostaria de fazer uma pergunta aos leitores: o que vocês acham das usinas nucleares brasileira Angra 1 e Angra 2? Vocês acham que o Brasil precisa da energia nuclear? Com certeza esse tema é polêmico, engloba vantagens e desvantagens de todas as tecnologias energéticas dentro de um contexto ecológico que está sempre em choque com o progresso (ou ganância) humanas.
Sou a favor da energia nuclear quando vejo o Brasil sendo ridiculamente manipulado na importação do gás-natural da Bolívia. Também sou a favor quando penso que a implantação de grandes hidrelétricas alaga ecossistemas e desloca pessoas de suas moradas. Por outro lado, sou contra a dependência de tecnologias importadas em detrimento de investimentos no nosso material humano. A usina de Angra 3 está em plena construção e eu não lembro de nenhum debate recente sobre o tema energia nuclear. Vai ver, ninguém comenta por que não entende, ou a memória de Chernobyl já foi apagada há tempos, junto com as luzes da usina.

Quer assistir o documentário? Entre nesse site e baixe o arquivo e tenha uma boa seção de conhecimento http://www.megaupload.com/?d=EOMMWCSM (obs.: este blog não hospeda filmes ou mídias detentoras de direitos autorais, apenas indica sites onde os mesmos foram hospedados, assim não me responsabilizo por problemas desta natureza)


Quer saber mais? O Wikipédia permite informações e detalhes razoáveis, sendo que a versão em inglês é mais confiável, por ser atualizada constantemente http://en.wikipedia.org/wiki/Chernobyl_disaster


Veja fotos atuais das cidades de Chernobyl e Prypiat tiradas por turistas:
http://www.flickr.com/groups/chernobyl-2/pool/


Que ir lá? Então entre neste site e faça a sua reserva, mas não esqueça de levar seu contador Geiger para medir a radiação dos lugares onde você vai pisar: http://www.tourkiev.com/chernobyl.php










segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Teenage Mutant Ninja Turtles (The Arcade Game)



Em outubro de 1991 foi inaugurado em Porto Alegre o Shopping Praia de Belas, e com ele o mais moderno fliperama da cidade. Para mim, esse era “a terra do nunca”, “a terra prometida”, enfim, o lugar onde eu mais gostava de ficar, cujas imagens, sons e cheiros continuam guardados na minha memória. Apesar de toda a modernidade de simuladores de vôo coletivos, jogos com imagens de filme e tudo mais, o meu jogo preferido sempre foi o Teenage Mutant Ninja Turtles, as Tartarugas Ninjas.




Só pra lembrar, as Tartarugas Ninjas estavam no auge de seu sucesso, portanto, desenhos, filmes, brinquedos, mochilas, lancheiras, enfim, metade das coisas que se fabricavam na China eram das Tartarugas Ninjas.

Bom, voltando ao assunto, o arcade (fliperama) das Tartarugas Ninjas foi lançado em 1989 pela Konami, talvez a softhouse mais competente na época. O estilo do jogo é o beatn’up, mais conhecido como “briga-de-rua”, cujos pilares foram estabelecidos pelo jogo Double Dragon. A idéia é simples e se resume no seguinte: os caras maus tomaram a cidade, raptaram uma pessoa querida e agora resta aos mocinhos (controlados pelos jogadores) limparem a cidade, distribuindo porrada em todo mundo. Esse estilo de jogo teve sua glória nos anos 80 e início dos 90, se extinguindo lentamente com o advento de videogames domésticos mais poderosos, novas formas de jogabilidade com ênfase no 3D. O arcade das Tartarugas Ninja era com certeza um dos mais lucrativos tanto nos fliperamas dos shoppings, como nos fliperamas proibidos, esses últimos pra quem não lembra, eram aqueles locados em prédios velhos, escuros, sujos, cheios de piolas de cigarro (e outras coisas), resumindo, o reduto da marginalidade. Ambientes condenáveis por pais politicamente corretos, não deixavam de ser interessantes, pois neles era possível jogar os arcades mais clássicos como Pac-man, Double Dragon e a relíquia Street Fighter 1 (isso mesmo, o primeiro). Um dia vou comentar mais sobre esses redutos, por enquanto, voltemos às Tartarugas Ninjas.

A máquina (arcade) que continha o jogo se destacava da maioria na época, pois era muito bem acabada, com estampas das Tartarugas e da April (repórter, amiga das Tartarugas). Além disso, quatro jogadores simultâneos podiam dividir a tarefa de Leonardo, Donatello, Michelangelo e Raphael em salvar a April, o Mestre Splinter e a cidade das garras do Destruidor e do Clan Foot, pondo um fim na bandidagem. As partidas mais divertidas foram sem-dúvida, aquelas as quais joguei com minhas irmãs e mais um amigo, cada um com sua tartaruga. Às vezes, eram tantas tartarugas e inimigos na tela que ninguém sabia mais o que estava acontecendo e no desespero a reação comum era apertar (com força) todos os botões ao mesmo tempo e o mais rápido possível. Nossa, isso era completamente insano!




O jogo era linear, iniciava num prédio em chamas e passava por vários cenários da cidade até o Tecnódromo (famigerada base do Destruidor), enfrentando ao final de cada fase um chefão diferente e característico do desenho (Rocksteady, Bebop, etc). As fichas extras eram poupadas para estas ocasiões, nas quais a maioria dos jogadores perdiam o jogo e uma ficha extra significava a diferença entre a vida e a morte.
Outro fato interessante era que a energia vital das Tartarugas podia ser restaurada pela pizza (comida preferida delas), que aparecia raramente ao longo o jogo. Na maioria das vezes a pizza era um motivo de briga, pois durante a fase só aparecia uma, e a mesma não podia ser dividida entre as Tartarugas. Aí existiam os seguintes tipos de jogadores: o esperto que já sabia onde a pizza ia aparecer; o cínico que “esbarrava sem querer na pizza do colega mais necessitado”; e o altruísta que sempre deixava a pizza pro colega mais necessitado. Eu era altruísta, por esperteza, pois mesmo jogando melhor, sabia que precisaria de um parceiro ajudando o máximo de tempo possível.




De volta à Paraíba passei muitos anos querendo repetir essa diversão, que só foi possível com a revolução do MAME, emulador de vários arcades, inclusive das Tartarugas Ninjas para PC. Hoje em dia tenho o prazer de levar esse arcade comigo no bolso, com meu Dingoo, um portátil multimídia e emulador de diversos videogames e arcades. Por ocasião do lançamento do MAME pro Dingoo eu postei um vídeo no Youtube para celebrar o jogo e deixar em outros saudosistas aquela vontade de recordar o que é bom.
http://www.youtube.com/watch?v=yBkMu7ZvoNg
Video demonstrativo do jogo original

Video do jogo rodando no Dingoo
Sinceramente, para um autêntico retrogamer, nada se compara à sensação de pegar uma ficha, inserir no slot, escutar ela caindo dentro da máquina e aquela voz alta iniciando o jogo: COWABUNGA! – surreal.

Como jogar? baixe e instale o emulador MAME: http://www.baixaki.com.br/download/extra-m-a-m-e-.htm . Em seguida, entre nesta página http://www.rom-world.com/dl.php?name=MAME&letter=T e baixe todos os arquivos (roms) com o nome Teenage Mutant Ninja Turtles direto na pasta "roms" que se encontra no diretório do MAME. Inicie o programa e peça pra atualizar a lista de jogos disponíveis, inicie o jogo e boa diversão!
Onde comprar? o arcade original pode ser comprado por 450,00 dólares no Ebay: http://cgi.ebay.com/ws/eBayISAPI.dll?ViewItem&item=180428372183