sábado, 21 de novembro de 2009

Turismo Espacial




Ir ao espaço sempre foi o sonho de muitas pessoas, eu inclusive. Durante décadas, essa possibilidade era delegada às pessoas com currículo militar ou científico invejáveis, condicionamento físico perfeito, frieza e equilíbrio psicológico, e claro, muita sorte. Enfim, apenas seres humanos excepcionais tinham o privilégio de ver lá de cima o mundo que Deus fez pra nós.


Agora seus problemas acabaram! Desde 2001, a empresa norte-americana Space Adventures vende viagens e estadia de 10 dias na Estação Espacial Internacional (ISS, sigla em inglês) para turistas espaciais, inicialmente pela bagatela de 20 milhões de dólares, e ultimamente por 35 milhões de dólares. Achou caro? Pare e pense: quanto vale um sonho?

Estação Espacial Internacional (ISS): 35 bilhões de dólares flutuando no espaço

Ao contratar a Space Adventures, o turista espacial entra numa fila disputada por outros milionários, e assim que é autorizado, inicia um treinamento intensivo de 6 meses na Cidade das Estrelas, região à nordeste de Moscou, onde fica o Centro de Treinamento Yuri Gagarin (nome em homenagem ao primeiro homem a ir ao espaço). Esse treinamento inclui testes de aptidão física (pressão, força G, resistência), testes psicológicos (ação em situação de perigo e estabilidade emocional), testes em simuladores (modelos das espaçonaves, simulação de gravidade zero), teste de sobrevivência (necessário caso a espaçonave pouse em lugar remoto) e também idioma russo (parte mais difícil...). Habilitado para a viagem, o turista espacial participa de diversas solenidades públicas, como por exemplo, visitas aos túmulos de mentores do Programa Espacial Soviético, estátuas de cosmonautas e à sala intacta de Yuri Gagarin. O turista espacial também participa de rituais de homenagem à figura de Gagarin, tradição desde o primeiro vôo espacial: assistir "O Sol Branco do Deserto", filme sobre a revolução bolchevique que Gagarin assistiu antes da viagem; e urinar na roda do ônibus que leva os cosmonautas ao foguete, ato de Gagarin diante do perigo da primeira viagem espacial (na minha opinião uma mistura de heroísmo com suicídio).

Lançamento do foguete e a Soyuz em órbita

Hora de voar! O turista espacial viaja a bordo da espaçonave Soyuz, concebida inicialmente para levar os russos para a Lua. Em atividade há 40 anos, a Soyuz possui 7,2 metros de comprimento por 2,7 metros de diâmetro, sendo composta de três compartimentos: módulo orbital (onde a tripulação fica durante a viagem), módulo de reentrada (usado apenas na subida e na descida) e módulo de serviço (instrumentação e suporte de vida). Ela tem capacidade para 3 tripulantes, no caso dois cosmonautas e um turista. Em órbita, a viagem até a ISS dura cerca de 2 dias, tempo suficiente pro turista espacial esticar as pernas e apreciar a paisagem, mas ainda sem muito conforto. É como viver 2 dias dentro de um carro fechado com mais 2 pessoas.

Soyuz atracada na ISS e o espaço interno da espaçonave: 2 dias num fusca

Ok, já chegamos! A Soyuz acopla na ISS e enfim o turista espacial chega a seu destino: uma instalação de 300 toneladas, espaço interno de 358 metros quadrados, voando há 360 km de altitude e que custou mais de 35 bilhões de dólares aos cofres dos EUA, Rússia, Japão e diversas outras nações, incluindo uma pífia participação do Brasil. Durante a estadia na ISS o turista pode apreciar e registrar diversas paisagens terrestres, transmitir imagens e mensagens às pessoas na Terra e realizar experimentos científicos para aproveitar o tempo. Tem sido cogitada a oferta exclusiva de caminhadas espaciais, ou seja, quando os astronautas saem da estação com seus trajes espaciais para dar umas voltas e apreciar uma visão única e esplendorosa da Terra (custará apenas 15 milhõezinhos, uma merreca...). Terminada a estadia, o turista espacial volta na mesma nave que o trouxe, porém, com outros cosmonautas devido à troca de equipe. A volta para casa é mais rápida: o módulo de descida da Soyuz faz a reentrada na atmosfera (momento crítico onde a nave praticamente pega fogo como um meteoro), abre os pára-quedas e nos segundos finais liga os motores para um pouso suave nas planícies do Cazaquistão. Uma equipe de busca é enviada e o turista levado junto aos demais cosmonautas para o Centro de Treinamento Yuri Gagarin para exames e demais formalidades.

O pouso da Soyuz e o resgate

E o que fica? O nome na história, lembranças cravadas na memória, uma experiência real do treinamento e da vida no espaço, a chance de inspirar os jovens na persistência de seus sonhos, de chamar atenção para causas humanitárias ou também promover um produto, claro, turista espacial não é bobo. Todos os turistas que já foram (7 até o presente momento) comentaram que valeu cada centavo dos milhões investidos, e um deles conseguiu a proeza de viajar como turista duas vezes. Abaixo uma pequena nota sobre cada um deles:

Dennis Tito (EUA, 2001): trabalhou um tempo na NASA, tornou-se multimilionário com a administração de empresas e foi o primeiro turista espacial da história.



Mark Shuttleworth (África do Sul, 2002): programador de computadores que ficou milionário ao vender sua empresa de segurança de internet, atualmente trabalha promovendo softwares livres.



Gregory Olsen (EUA, 2005): empreendedor e cientista, dono de uma empresa de desenvolvimento de material óptico-eletrônico, dá palestras para motivar crianças de minorias étnicas para seguirem carreira na ciência.



Anousheh Ansari (Irã, 2006): primeira turista espacial feminina, foi estudar nos EUA pois no Irã não era permitida, formada em engenharia elétrica e computação, empresária e maior patrocinadora do prêmio Ansari X Prize que destinou 10 milhões de dólares para a primeira nave civil que chegasse ao espaço (isso vale outro tópico...) e agora patrocina outros desafios. Sua família investe em empresas que tornem o turismo espacial uma realidade ao redor do mundo. É inspiração para as mulheres e jovens e para empresas que buscam investir em tecnologia aeroespacial.




Charles Simony (Hungria, 2007 e 2009): é o sortudo que foi duas vezes, programador da Microsoft, amigo de Bill Gates famoso por ter criado a notação húngara. O site dele é bem bacana.



Richard Garriott (Inglaterra, 2008): empresário e criador de games, é filho de um astronauta. 


Guy Laliberté (Canadá, 2009): artista circense, fundador e diretor do Cirque du Soleil, conhecido como o palhaço espacial pelas fotos com nariz de palhaço na ISS. Administra a One Drop, fundação que utiliza das artes para promover o uso sustentável da água e o acesso igualitário de água e alimentos para comunidades.


Como se percebe, o turismo espacial ainda não é para todo mundo. Entretanto, a maioria desses primeiros turistas espaciais está envolvida em ações concretas para torná-lo viável em médio prazo. Pra quem se interessou, a Space Adventures oferece os seguintes serviços: os mais baratos são os simuladores da Soyuz e ISS na Rússia, e os vôos de gravidade zero (em aviões quando eles fazem mergulhos demorados) por cerca de 5.000 dólares; o melhor custo-benefício é o vôo sub-orbital (100 km de altitude), numa pequena aeronave onde é possível ver a Terra do espaço e experimentar minutos de gravidade zero por cerca de 100.000 dólares (já existe uma fila imensa); o serviço vip que é o vôo orbital com estadia na ISS, comentado nesse tópico e que sai por 35 milhões de dólares. Agora se o que você quer mesmo é ir à Lua, tudo bem, por cerca de 100 milhões de dólares você pode reservar seu passeio. É sério! Trata-se do projeto de turismo mais ambicioso da história. Como comentado a espaçonave russa Soyuz foi concebida para levar os russos à Lua. A idéia seria lançar dois foguetes, um com a tripulação e outro com um módulo especial que acoplado no espaço levaria dois turistas e um cosmonauta ao redor da Lua para algumas órbitas e em seguida retornaria à Terra. Os turistas espaciais terão seus nomes registrados na história como os primeiros civis a viajarem ao redor da Lua, o mais longe possível da civilização. Por enquanto esse serviço não foi disponibilizado pois envolve um custo elevado no desenvolvimento de novas tecnologias, planos soviéticos estagnados desde a Guerra-fria. Quem sabe será algo concreto dentro dos próximos 10 anos.


Quem será o primeiro turista lunar?


Minha opinião final é que considero o turismo espacial como uma possibilidade incrível para pessoas que sonham em ir ao espaço e ao mesmo tempo um mercado cujo lucro a médio e longo prazo serão maiores do que qualquer empreendimento já realizado. O que estamos vendo agora é apenas o início de uma nova era na exploração do espaço, que sempre esteve lá, esperando para ser desvendado.

Quer ir ao infinito e além? entre no site da Space Adventures e dê uma olhadinha nas "ofertas"
http://www.spaceadventures.com/index.cfm

Deseja saber mais sobre a experiência como turista espacial? então siga o link pro site do Charles Simonyi, o sortudo que foi duas vezes http://www.charlesinspace.com/

Quer saber mais? o wikipedia em inglês dá uma idéia da coisa





sexta-feira, 13 de novembro de 2009

O Desastre de Chernobyl


Sempre tive curiosidade a respeito do acidente de Chernobyl, porém as informações disponíveis em muitos anos eram escassas e desencontradas. Atualmente, a internet dispõe de um material excelente e detalhado sobre as causas e conseqüências do acidente. Dentre os quais, recomendo o documentário O Desastre de Chernobyl (The Battle of Chernobyl), que é sem dúvida, impressionante.

Entrada de Prypiat: terra de ninguém

Chernobyl é uma cidade que fica na Ucrânia, parte da antiga União Soviética. Para os russos a energia nuclear tem uma grande importância, possibilitando o suprimento de energia em qualquer ambiente. Numa bomba atômica convencional o material nuclear de altíssima pureza (enriquecido) é implodido com auxílio de explosivos convencionais gerando uma reação em cadeia fora de controle (a explosão nuclear). Já num reator nuclear para produção de energia elétrica, o material nuclear é consumido em formas de pastilhas com menor grau de pureza numa reação controlada por diversos equipamentos (principalmente hastes de grafite) gerando calor, que é convertido pelo vapor de água em energia mecânica, e esta, através de um alternador é convertida em energia elétrica. Na noite do dia 26 de abril de 1986, um teste de redução de energia combinou erros humanos com deficiências do equipamento, resultando numa explosão do reator 4 da usina, matando instantaneamente vários funcionários, destruindo a cúpula de 1.000 toneladas e liberando uma enorme quantidade de material radioativo para a atmosfera.


Simulação da explosão do reator 4

O documentário mostra como isso ocorreu e todo o mistério que se desenvolveu em seguida. Passaram-se várias horas sem ninguém resolver absolutamente nada. Nem o governo sabia ao certo sobre o acidente. Informações desencontradas e o sigilo absoluto dos soviéticos agravavam a situação. Muitos dos técnicos e políticos se preocupavam apenas em restabelecer o fornecimento de energia, sem compreender a gravidade do acidente. Enquanto isso, a radiação contaminava o meio ambiente, as cidades e as pessoas. Durante a manhã do dia seguinte um cinegrafista a bordo de um helicóptero conseguiu filmar rapidamente o tamanho da destruição, inclusive o magma radioativo derretendo tudo dentro do reator. Em seu testemunho ele afirmou que depois da filmagem a câmera apresentou defeitos, resultados da radiação que chegava até o helicóptero.


Helicóptero se dirigindo à usina no dia seguinte ao acidente

Centenas de bombeiros foram recrutados para conter o fogo do reator. Pilotos militares também ajudavam lançando sacos de areia e chumbo com auxílio de helicópteros diretamente no reator. Cerca de 3 horas depois esses bombeiros e pilotos chegavam ao hospital enjoados, com fortes dores de cabeça, seguidas de vômitos e convalescença. Seus cabelos começavam a cair e logo em seguida eles morriam. A triste ignorância quanto aos perigos da exposição radioativa foi decisiva para comandar o esforço desses homens. Foram centenas de jovens heróis!

Medalha concedida aos liquidators: partículas alfa,
beta e gama em frente à gota de sangue

Paralelamente, era realizada a evacuação de mais de 200.000 civis em ônibus, deixando tudo pra trás, casas, apartamentos, pertences, vidas inteiras construídas sob aquele lugar. A cidade de Chernobyl e Prypiat, outra cidade mais populosa e vizinha à usina nuclear hoje em dia são cidades fantasmas, congeladas no tempo, onde agora a natureza tomou conta com árvores crescendo no meio das ruas e florestas em campos de futebol. O documentário da BBC O Mundo Sem Ninguém (Life After People, 2009) faz uma visita às cidades e mostra cenas fantasmagóricas, de um parque de diversões que nunca fora inaugurado, apartamentos e casas abandonadas, enfim um lugar impróprio para a habitação, pelo menos nos próximos 900 anos. Em outra ocasião comentarei esse documentário imperdível.
Voltando ao acidente, as cerca de 5.000 toneladas de material jogados no reator na tentativa de extinguir o fogo trouxeram um novo problema: o peso do material e a destruição provocada pelo magma nuclear ameaçavam a fundação do prédio do reator e isso poderia contaminar uma rede de aqüíferos enorme, comprometendo não somente a União Soviética, como também grande parte da Europa. A solução foi recrutar mineradores de todos os lugares da União Soviética para construir uma barreira de contenção no subsolo da usina e drenar a água contaminada das camadas superiores. Para isto, eles tiveram de escavar um saguão enorme, num ritmo alucinante, sob ameaça de desmoronamento, temperatura de até 50 graus Celsius e claro, recebendo altas doses de radiação.

A cidade fantasma de Prypiat, evacuada às pressas há 20 anos atrás.


O parque não-inaugurado, ônibus enferrujado,
brinquedos e escolas abandonados: desolação



Restava fazer a limpeza do teto da usina, que continha destroços e resíduos altamente radioativos. Inicialmente, usaram robôs comandados por controle remoto, no entanto os robôs começavam a falhar, certamente por danos radioativos nos seus circuitos. A solução foi desesperada, voluntários seriam usados para limpar o teto da usina. Conhecidos como liquidators, esses “bio-robôs” (apelido dado pelos militares) vestidos com pesadas roupas de chumbo e máscaras, só podiam ficar no teto da usina por 40 segundos, tempo a partir do qual as doses de radiação poderiam ser fatais. Foram milhares deles se revezando na missão. Em entrevista, um dos liquidators afirmou que durante o trabalho no teto da usina sentia um gosto de metal na boca, como um sinal de que a radiação já estava afetando o seu corpo. Muitos afirmaram que sabiam o risco que estavam correndo e devolviam a pergunta “Se não fossemos nós, quem seriam?”. Atualmente, os últimos liquidators ainda vivos reivindicam do governo a pensão e melhores condições para o tratamento de diversas doenças causadas pela radiação, principalmente o câncer.


A fonte do perigo: o reator 4 antes e depois de ser lacrado pelo "sarcófago" de concreto e metal, hoje bastante deteriorado



O último ato foi a conclusão da estrutura que selou o reator 4, conhecida como “sarcófago”. Foi uma celebração diante de um desastre que consumiu vidas humanas e 200 bilhões de dólares em esforços para contê-lo. Por outro lado, a contaminação radioativa perdura pela fauna, flora, aqüíferos e solos da zona de exclusão. Curiosamente, com a ausência dos humanos a fauna prosperou em quantidade e diversidade, sinal de esperança numa terra devastada. Poucas pessoas permanecem na zona de exclusão, a maioria são idosos de vilas próximas, técnicos, seguranças, pesquisadores e, por incrível que pareça, turistas. Sim, agências de turismo de Kiev oferecem pacotes completos, incluindo transporte até a zona de exclusão, tour pela cidade abandonada, permissão militar para entrada nas proximidades da usina (fotos com o reator 4 à distância são comuns) e garantia de retorno seguro até às 18h para o jantar. Eu não vejo nada de bizarro nisso, afinal a curiosidade humana não tem limites. Os destinos mais comuns do turismo sempre foram ruínas, logo, Chernobyl e Prypiat não deixam de ser “ruínas modernas”, com escolas abandonadas e suas propagandas estimulando as crianças soviéticas para a vida de trabalho, anfiteatros, centros culturais e parques de diversões enferrujados, tomados por plantas.



Turismo nas ruínas de Chernobyl: curiosidade sem limites



A roda-gigante que jamais rodou: símbolo pós-apocalíptico de Chernobyl 



Gostaria de fazer uma pergunta aos leitores: o que vocês acham das usinas nucleares brasileira Angra 1 e Angra 2? Vocês acham que o Brasil precisa da energia nuclear? Com certeza esse tema é polêmico, engloba vantagens e desvantagens de todas as tecnologias energéticas dentro de um contexto ecológico que está sempre em choque com o progresso (ou ganância) humanas.
Sou a favor da energia nuclear quando vejo o Brasil sendo ridiculamente manipulado na importação do gás-natural da Bolívia. Também sou a favor quando penso que a implantação de grandes hidrelétricas alaga ecossistemas e desloca pessoas de suas moradas. Por outro lado, sou contra a dependência de tecnologias importadas em detrimento de investimentos no nosso material humano. A usina de Angra 3 está em plena construção e eu não lembro de nenhum debate recente sobre o tema energia nuclear. Vai ver, ninguém comenta por que não entende, ou a memória de Chernobyl já foi apagada há tempos, junto com as luzes da usina.

Quer assistir o documentário? Entre nesse site e baixe o arquivo e tenha uma boa seção de conhecimento http://www.megaupload.com/?d=EOMMWCSM (obs.: este blog não hospeda filmes ou mídias detentoras de direitos autorais, apenas indica sites onde os mesmos foram hospedados, assim não me responsabilizo por problemas desta natureza)


Quer saber mais? O Wikipédia permite informações e detalhes razoáveis, sendo que a versão em inglês é mais confiável, por ser atualizada constantemente http://en.wikipedia.org/wiki/Chernobyl_disaster


Veja fotos atuais das cidades de Chernobyl e Prypiat tiradas por turistas:
http://www.flickr.com/groups/chernobyl-2/pool/


Que ir lá? Então entre neste site e faça a sua reserva, mas não esqueça de levar seu contador Geiger para medir a radiação dos lugares onde você vai pisar: http://www.tourkiev.com/chernobyl.php










segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Teenage Mutant Ninja Turtles (The Arcade Game)



Em outubro de 1991 foi inaugurado em Porto Alegre o Shopping Praia de Belas, e com ele o mais moderno fliperama da cidade. Para mim, esse era “a terra do nunca”, “a terra prometida”, enfim, o lugar onde eu mais gostava de ficar, cujas imagens, sons e cheiros continuam guardados na minha memória. Apesar de toda a modernidade de simuladores de vôo coletivos, jogos com imagens de filme e tudo mais, o meu jogo preferido sempre foi o Teenage Mutant Ninja Turtles, as Tartarugas Ninjas.




Só pra lembrar, as Tartarugas Ninjas estavam no auge de seu sucesso, portanto, desenhos, filmes, brinquedos, mochilas, lancheiras, enfim, metade das coisas que se fabricavam na China eram das Tartarugas Ninjas.

Bom, voltando ao assunto, o arcade (fliperama) das Tartarugas Ninjas foi lançado em 1989 pela Konami, talvez a softhouse mais competente na época. O estilo do jogo é o beatn’up, mais conhecido como “briga-de-rua”, cujos pilares foram estabelecidos pelo jogo Double Dragon. A idéia é simples e se resume no seguinte: os caras maus tomaram a cidade, raptaram uma pessoa querida e agora resta aos mocinhos (controlados pelos jogadores) limparem a cidade, distribuindo porrada em todo mundo. Esse estilo de jogo teve sua glória nos anos 80 e início dos 90, se extinguindo lentamente com o advento de videogames domésticos mais poderosos, novas formas de jogabilidade com ênfase no 3D. O arcade das Tartarugas Ninja era com certeza um dos mais lucrativos tanto nos fliperamas dos shoppings, como nos fliperamas proibidos, esses últimos pra quem não lembra, eram aqueles locados em prédios velhos, escuros, sujos, cheios de piolas de cigarro (e outras coisas), resumindo, o reduto da marginalidade. Ambientes condenáveis por pais politicamente corretos, não deixavam de ser interessantes, pois neles era possível jogar os arcades mais clássicos como Pac-man, Double Dragon e a relíquia Street Fighter 1 (isso mesmo, o primeiro). Um dia vou comentar mais sobre esses redutos, por enquanto, voltemos às Tartarugas Ninjas.

A máquina (arcade) que continha o jogo se destacava da maioria na época, pois era muito bem acabada, com estampas das Tartarugas e da April (repórter, amiga das Tartarugas). Além disso, quatro jogadores simultâneos podiam dividir a tarefa de Leonardo, Donatello, Michelangelo e Raphael em salvar a April, o Mestre Splinter e a cidade das garras do Destruidor e do Clan Foot, pondo um fim na bandidagem. As partidas mais divertidas foram sem-dúvida, aquelas as quais joguei com minhas irmãs e mais um amigo, cada um com sua tartaruga. Às vezes, eram tantas tartarugas e inimigos na tela que ninguém sabia mais o que estava acontecendo e no desespero a reação comum era apertar (com força) todos os botões ao mesmo tempo e o mais rápido possível. Nossa, isso era completamente insano!




O jogo era linear, iniciava num prédio em chamas e passava por vários cenários da cidade até o Tecnódromo (famigerada base do Destruidor), enfrentando ao final de cada fase um chefão diferente e característico do desenho (Rocksteady, Bebop, etc). As fichas extras eram poupadas para estas ocasiões, nas quais a maioria dos jogadores perdiam o jogo e uma ficha extra significava a diferença entre a vida e a morte.
Outro fato interessante era que a energia vital das Tartarugas podia ser restaurada pela pizza (comida preferida delas), que aparecia raramente ao longo o jogo. Na maioria das vezes a pizza era um motivo de briga, pois durante a fase só aparecia uma, e a mesma não podia ser dividida entre as Tartarugas. Aí existiam os seguintes tipos de jogadores: o esperto que já sabia onde a pizza ia aparecer; o cínico que “esbarrava sem querer na pizza do colega mais necessitado”; e o altruísta que sempre deixava a pizza pro colega mais necessitado. Eu era altruísta, por esperteza, pois mesmo jogando melhor, sabia que precisaria de um parceiro ajudando o máximo de tempo possível.




De volta à Paraíba passei muitos anos querendo repetir essa diversão, que só foi possível com a revolução do MAME, emulador de vários arcades, inclusive das Tartarugas Ninjas para PC. Hoje em dia tenho o prazer de levar esse arcade comigo no bolso, com meu Dingoo, um portátil multimídia e emulador de diversos videogames e arcades. Por ocasião do lançamento do MAME pro Dingoo eu postei um vídeo no Youtube para celebrar o jogo e deixar em outros saudosistas aquela vontade de recordar o que é bom.
http://www.youtube.com/watch?v=yBkMu7ZvoNg
Video demonstrativo do jogo original

Video do jogo rodando no Dingoo
Sinceramente, para um autêntico retrogamer, nada se compara à sensação de pegar uma ficha, inserir no slot, escutar ela caindo dentro da máquina e aquela voz alta iniciando o jogo: COWABUNGA! – surreal.

Como jogar? baixe e instale o emulador MAME: http://www.baixaki.com.br/download/extra-m-a-m-e-.htm . Em seguida, entre nesta página http://www.rom-world.com/dl.php?name=MAME&letter=T e baixe todos os arquivos (roms) com o nome Teenage Mutant Ninja Turtles direto na pasta "roms" que se encontra no diretório do MAME. Inicie o programa e peça pra atualizar a lista de jogos disponíveis, inicie o jogo e boa diversão!
Onde comprar? o arcade original pode ser comprado por 450,00 dólares no Ebay: http://cgi.ebay.com/ws/eBayISAPI.dll?ViewItem&item=180428372183

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Capricorn One



A primeira vez que vi falar de Capricorn One me assustei, pois sempre tinha sonhado com um filme assim. Depois de assistir ao filme me intriguei no porque que ele não foi um tremendo sucesso e quase ninguém o conhece.


Capricorn One é de 1978, escrito e dirigido por Peter Hyams (Outland, Timecop) e estrelado por Elliot Gould, James Brolin, O. J. Simpson (sim, aquele mesmo que matou a mulher e o amante dela), dentre outros atores.



O roteiro do filme é excepcional: a NASA planeja um vôo tripulado para Marte, no entanto, por razões políticas e financeiras e com uma tecnologia aquém da necessária, ela decide forjar o pouso em Marte através de filmagens feitas num estúdio simulando o ambiente marciano. Logo no início, os astronautas são retirados às pressas do módulo de comando do foguete (idêntico ao Saturn V que levou o homem à Lua) e mantidos numa instalação militar, onde ficam sabendo e são coagidos a participar da farsa sob a ameaça de morte que é feita às suas famílias.



O foguete foi lançado e a nave em órbita transmite dados previamente gravados, que são acompanhados na Terra pelos técnicos da NASA, também enganados. Um desses técnicos percebe uma anomalia, mas é repreendido pelo chefe de operações (que também é principal responsável pela farsa). Indignado, o técnico comenta com o amigo jornalista Robert Caulfield, que dias depois ao procurá-lo, descobre que não apenas o técnico desapareceu, como todo seu registro foi eliminado pelos agentes do governo. Investigando o caso, o jornalista fica sob a mira do governo, sofrendo atentados e prisão.





O pouso em Marte é forjado num estúdio, mas recebido pelo mundo como um milagre tecnológico e como uma prova do progresso dos EUA. Também forjado, o vôo de volta é televisionado mostrando uma conversa entre o astronauta Brubaker e sua esposa na Terra. Essa cena é chave no filme, pois Brubaker faz um comentário fútil e desconexo, que mais tarde é interpretado pelo jornalista com o auxílio da esposa do astronauta como um meio desesperado para dizer que tudo não passa de uma encenação.



Para esconder a farsa e manter a glória da missão intacta, o chefe de operações da NASA vai a público e declara que os astronautas morreram durante a reentrada do módulo de comando na atmosfera. Os astronautas ainda mantidos em cativeiro começam a questionar a demora para serem liberados e enviados para fingir o resgate em auto-mar. É aí que cai a ficha: “nós estamos mortos”. Dá-se início a fuga dos astronautas num pequeno avião e em seguida uma das perseguições mais eletrizantes que já vi em filmes. Com a falta de combustível, os três astronautas pousam e seguem direções diferentes, caçados com a mesma intensidade. Neste meio termo, o jornalista Caufield descobre o local onde a farsa foi filmada e acha um emblema do astronauta Brubaker, confirmando suas investigações. Ele também descobre que o governo está patrulhando uma região próxima e com ajuda de um piloto de avião agrícola parte para salvar os astronautas.



Bem, a perseguição é alucinante, bem como a luta dos astronautas pelas suas próprias vidas. Não vou contar o final pra não perder a graça. Espero que vocês assistam e se divirtam com esse filme excepcional.


Avaliação Pessoal
Roteiro: 10
Direção: 9
Atuação: 8
Visual e Som: 7

Chamada: dosagem perfeita de conspiração e ação
Onde encontro: baixei esse filme pelo sistema P2P torrent, com auxílio do programa bitcomet. É um filme raro, disponível pra venda no site da Amazon (http://www.amazon.com/Capricorn-One-Elliott-Gould/dp/0784011540).